Como nasceu o "Ciência a bordo"

Nos tornamos biólogos pela curiosidade e pelo fascínio sobre os fenômenos naturais. Estudamos e ensinamos conteúdos que muitas pessoas, inclusive nós, nunca tiveram ou teriam a oportunidade de testemunhar. E, assim como alguém com espírito aventureiro não fica satisfeito de apenas conhecer e contar a vida de um grande explorador, nós também não nos satisfizemos em apenas repetir o que está nos livros. Em uma tentativa de complementar aquilo que ensinamos e aprendemos nasceu o projeto "Ciência a bordo", fruto de duas paixões: a ciência e a vela.

We have become biologists by curiosity and fascination about natural phenomena. We study and teach content that many people, including us, have never had or would have the opportunity to testify. And the same way someone with an adventurous spirit would not be satisfied only knowing and telling the life of a great explorer, we do not have satisfied ouselves in just repeat what is in books. In an attempt to complement what we teach and learn in our scientific life the project "Ciência a bordo" (Science on board) was born, as a result of two passions: science and sailing.

sábado, 31 de dezembro de 2011

A canção está perdida...

Foto retirada da internet

Todo final de ano somos bombardeados com os mesmos programas de televisão e artistas cantando as mesmas músicas. Por isso, nesse final de ano, resolvemos fazer na nossa última postagem de 2011 um apelo aos antigos costumes...    

Existe um sistema “primitivo” de modelo moral adotado por uma tribo africana que chama muito a atenção. São os Bosquimanos, ou homens dos bosques, que vivem no sul da África. De todas as populações humanas são eles que apresentam a maior variabilidade de DNA mitocondrial, que é um indicativo de que o grupo é um dos mais antigos entre os humanos. Por ser uma população pequena os Bosquimanos estão em vias de extinguir-se e, com eles, seus costumes, hábitos e todo o conhecimento que somente eles detém sobre os costumes e locais que eles habitam, que são de uma peculiaridade ímpar. Os locais em questão se estendem pelo deserto do Kalahari, Namíbia, Botsuana e na Angola, onde os Bosquimanos são encontrados em pequenos grupos.

Apesar da cultura reconhecidamente muito avançada e rica dos Bosquimanos a Angola é hoje o País com maior índice de corrupção do mundo e com o menor índice de desenvolvimento humano.  Como o IDH é um índice que utiliza dados econômicos e de alfabetização, ele dá a falsa impressão de que os Bosquimanos, que são habitantes locias, são um povo atrasado e primitivo. Na realidade, os Bosquimanos são capazes de retirar todo seu sustento de uma terra onde qualquer pessoa de ambiente urbano morreria em poucos dias, principalmente de sede, e sabem fazer a leitura de rastros. Através da leitura dos rastros, eles são capazes de contar a trajetória de um animal que passou pelo local há dias, por exemplo, ou seja, eles são alfabetizados, além de terem um convívio harmônico com a natureza.

No livro o Gene egoísta, Dawkins propõe um equivalente cultural do gene, os Memes: unidades básicas de memória ou de conhecimento, que se multiplicam conscientemente de cérebro para cérebro. Seguindo a linha de pensamento de Richard Dawkins, então, se não podemos salvar os Bosquimanos, ao menos salvemos suas idéias. Deixamos aqui então um vídeo:     





‘‘Quando uma mulher, de certa tribo da África, sabe que está grávida, segue para a selva com outras mulheres e, juntas, rezam e meditam até que aparece a ‘canção da criança’. Quando nasce a criança, a comunidade se junta e lhe canta a sua canção. Logo, quando a criança começa sua educação, o povo se junta e lhe canta sua canção. Quando se torna adulto, a gente se junta, novamente, e canta. Quando chega o momento do seu casamento a pessoa escuta a sua canção.

Finalmente, quando sua alma está para ir-se deste mundo, a família e amigos aproximam-se e, igual como em seu nascimento, cantam a sua canção para acompanhá-lo na ‘viagem’.

        Nesta tribo da África há outra ocasião nas quais os homens cantam a canção. Se em algum momento da vida a pessoa comete um crime ou um ato social aberrante, o levam até o centro do povoado e a gente da comunidade forma um círculo ao seu redor. Então, lhe cantam a sua canção. A tribo reconhece que a correção para as condutas anti-sociais não é o castigo; é o amor e a lembrança de sua verdadeira identidade.
 
          Quando reconhecemos nossa própria canção já não temos desejos nem necessidade de prejudicar ninguém. Teus amigos conhecem a "tua canção" e a cantam quando a esqueces. Aqueles que te amam não podem ser enganados pelos erros que cometes; às escuras imagens que mostras aos demais. Eles recordam tua beleza quando te sentes feio; tua totalidade quando estás quebrado; tua inocência quando te sentes culpado e teu propósito quando estás confuso.

                                                                                           Tolba Phanem



Feliz ano novo, bons ventos e Sempre Alerta!





quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Muito além das chaminés...


Recentemente saiu uma matéria no jornal Zero Hora (um dos principais jornais da região Sul) falando sobre a orla de Porto Alegre, em especial a região do bairro de Ipanema tendo seu limite demarcado por um morro de nome Ponta Grossa. Ficamos impressionados com as fotos da década de 70 quando era possível passar um final de semana com a família tomando um belo banho de rio/lago (essa nomenclatura depende da “religião” de cada um) nas margens do Guaíba. O que importa é que o Guaíba era espetacularmente lindo, suas águas eram limpas e uma vegetação tipicamente de restinga bordejava por quase toda orla da Cidade. 

Ponta Grossa
Por coincidência na mesma semana dessa reportagem no Zero Hora, o“Ciência a bordo” tinha feito sua segunda expedição a bordo do Darwin e adivinhem qual tinha sido nosso destino?  Ponta Grossa! – O local conhecido entre os velejadores como “Tranqüilo”, trata-se de uma bela enseada com o entorno com morros remanescentes de uma Porto Alegre colonial, cuja cobertura vegetal ainda se encontra quase intocada e bem preservada.
Darwin atracado na Ponta Grossa

Deixamos para trás a chaminé do gasômetro e seguimos viagem rumo ao sul, em direção a ponta grossa, nosso destino final. Final uma ova, tínhamos todo percurso de volta com vento na cara e um sol escaldante que nos rendeu um belo bronzeado zebrado. Nas milhas finais se aproximando do nosso objetivo foi possível sentir o cheiro característico das matas e ouvir os sons peculiares de aves nativas e cigarras. Para aqueles que vão de veleiro e mantiverem seus olhos atentos vão perceber que os estais (cabos de aço que seguram o mastro) ficarão tomados por fios de teias e minúsculas aranhas...cabe ressaltar aqui que elas são totalmente inofensivas. Essas aranhas chegam à água adotando uma estratégia de dispersão chamada de balonismo, muito comum entre os aracnídeos. Bem que poderiam ser chamados de velejadores, pois essas criaturas utilizam o vento para se deslocarem. Elas lançam longos fios de sedas ao vento e se “jogam” deixando que as correntes as conduzam. Essa parece ser uma excelente estratégia de dispersão, pois elas podem se deslocar por longas distâncias sem muito esforço. Há registros de aranhas que fazem balonismo em altitudes inacreditáveis.
Preparando o almoço

Na chegada a Ponta grossa, preparamos um belo almoço e descansamos nos matacões (boulders) característicos dos morros da zona sul, com direito a suco, sobremesa e uma paisagens inacreditável. Até lá foram cerca de 13 milhas. No percurso redescobrimos um Guaíba ainda especularmente lindo, porém poluído; visivelmente esquecido por muitos e negligenciado por outros. Visitamos também as polêmicas “Ilhas Fo-Fo”, um arquipélago formado por sedimentos retirados pela dragagem das obras de melhoria do saneamento básico de Porto Alegre, promessa antiga de um Guaíba despoluído (Assim seja!). E, registramos seu primeiro habitante.
Uma das Ilhas Fo-Fo

Não podemos deixar de mencionar os inúmeros obstáculos que encontramos no nosso percurso e que oferecem riscos à navegação desportiva: incontáveis taquaras encalhadas, estacas, poitas em locais nada sinalizados, bóias antigas, mangotes de todos os tipos... bom, a lista e enorme. Mas apesar dos obstáculos e decepções, valeu cada remada, cada milha percorrida. 

Único habitante das Ilhas Fo-Fo
Ah! Já íamos esquecendo, em nossa chegada na entrada do “Tranqüilo” avistamos um veleiro com todos os panos ao vento e, em pleno rumo de colisão. Os tripulantes estavam visivelmente curiosos com a nossa chegada e percebemos que queriam a qualquer custo ter certeza do que estavam vendo. Ao se aproximarem reconhecemos o barco, tratava-se do veleiro Minuano, um belo barco azul e branco, inconfundível. No seu comando, uma figura conhecida nossa, nosso amigo Luiz, ou como nós o chamamos: o Minuano. Tanto o comandante, como a tripulação não estavam acreditando que tínhamos remado até lá... Ao nos aproximarmos suficiente, já nos lançaram a seguinte pergunta: Que horas vocês saíram????? Respondemos rapidamente, e eles puderam retomar sua rota e seguiram o seu destino. Meio incrédulos achamos.    



Sempre Alerta e Bons Ventos!   

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Se estiver escrito é verdade… essa é a máxima!

        Na última edição da Super Interessante # 299 dez/2011, nos deparamos com um título bem conhecido por todos nós: Guia verde politicamente incorreto.          Não queremos ser catastróficos, mas estamos passando por um período importante do ponto de vista ambiental com temas complexos como a construção de hidrelétricas na planície amazônica e a aprovação do novo código florestal. Essas são ações importantes na nossa história como civilização e que determinam o futuro de outras gerações.
        Alguns desses temas estão abordados nessa edição da Super Interessante e, por isso, decidimos comprar a revista para saber o que “eles” pensam sobre o assunto. Como se trata de uma revista de divulgação científica bem conhecida e com uma tiragem de 362 366 exemplares, não temos dúvidas sobre o poder de formação de opinião desse veículo. Porém, na reportagem de capa: Guia Verde politicamente incorreto encontramos um texto repleto de erros conceituais e incoerências do ponto de vista da conservação. Ficamos pasmos com o que encontramos lá.
        A primeira parte do texto fala sobre a indústria do papel e apresenta um cálculo sobre o consumo e produção de CO2 (gás responsabilizado pelo efeito estufa). O texto com o título de “Falsos Vilões” argumenta que as florestas de Pinus e  Eucaliptus, criticadas por muito ambientalistas, são na realidade benéficas ao meio ambiente pois absorvem muito mais CO2 do que libera com a produção do papel. O texto fala então do seqüestro de carbono em florestas implantadas. Sim, as florestas são estoques vivos de carbono e a manutenção desse equilíbrio natural além da redução do carbono emitido por atividades humanas tem relação direta com a permanência de florestas em pé. Mas, não basta plantar “nova floresta” é preciso saber de que tipo de floresta estamos falando. Não podemos esquecer que a floresta, seja ela qual for, é um sistema complexo, com muitos organismos interagindo de forma específica. Assim, ao substituir uma floresta nativa por uma de Pinus ou Eucaliptus não são somente as espécies de árvores que são substituídas, que aliás no caso do Brasil é a substituição de centenas por uma, mas estão sendo substituídas também as espécies de animais vertebrados e invertebrados em geral que se alimentam e se abrigam nas árvores nativas, e também das  bactérias e fungos presentes no solo, que determinam a fertilidade da terra.
        O texto então além de não falar da perda de biodiversidade que ocorre um sistema homogêneo como uma plantação eucalipto, não menciona dois dos aspectos mais danosos desses tipos cultivos que é a quantidade de formicida que se coloca por hectare numa floresta implantada, e o potencial invasor do Pinus que pode se alastrar por florestas nativas e manter esse ciclo de perda de diversidade. Assim, manter a flora nativa com sua complexidade de fauna, flora e microbiota é muito diferente de substituí-la por outra floresta comercial. Ou seja, é imperativo que se mude o olhar sobre o que é uma floresta, deixando de associá-la a plantio de Pinus ou Eucalipto. Somente uma vegetação natural permanentemente preservada, como a Mata Atlântica, Amazônia ou os outros tantos biomas que temos no Brasil pode garantir uma fixação de carbono em longo prazo.
         O autor termina esse tema com a seguinte frase: “E o melhor para a sua consciência é que o papel utilizado no Brasil não vem do desmatamento de mogno na Amazônia, mas da colheita de eucalipto e pinus de florestas plantadas no sul do país”. Nesse caso, o autor poderia ter dito que o papel também não vem das sequóias gigantes da América do norte ou ainda de figueiras centenárias. Essa comparação e realmente sem sentido e nos dá uma falsa impressão que estamos fazendo algo muito bom.
         Não temos dúvidas sobre a necessidade das florestas implantadas nem da necessidade de produzir papel etc. Mas temos que, no mínimo, aceitar que estamos pagando caro por tal recurso e que estamos interferindo de forma irresponsável sobre os ecossistemas, ou seja, devemos é assumir que estamos alterando SIM e, talvez, de forma irreversível a estrutura de nossas paisagens naturais. Aceitar essa idéia é o primeiro passo para mudança e, não colocar “panos quentes” achando que tudo está bem, porque definitivamente não está!
         Seguimos nossa leitura... Mais adiante encontramos um pequeno texto com o seguinte título: “Pobres Pássaros” nesse texto, o autor fala sobre o impacto da produção de energia sobre as “aves”. Primeiramente, existe um equívoco, por parte do autor, sobre o que é uma ave e o que é um pássaro. Nem toda ave é um pássaro. Esse detalhe conceitual pode parecer insignificante, mas é ele quem vai esclarecer o impacto que de fato estamos exercendo do ponto de vista da conservação.
         Explico, podemos ler a seguinte frase no texto: “Toda vez que há derramamento de petróleo, os jornais ficam repletos de imagens aterrorizantes de pássaros cobertos de óleo. Mas a verdade é que a produção de energia não é a maior vilã das aves – fazemos coisas muito piores”.

Nesse ponto do texto o autor expõe um quadro com os hábitos humanos e seus respectivos números, que matam mais pássaros do que o derramamento de óleo.

Quadro encontrado na revista mostrando a morte de aves por ano com suas categorias:

O primeiro da lista é o vazamento de óleo da Bristish Petroleum. 6.147 mil

Geradores de energia eólica 270 mil

Gatos domésticos 10 milhões

Carros comuns 80 milhões

Fios elétricos 130 milhões

Choques em prédios 550 milhões


        Ok! Os números são impressionantes, mas são números!
        As 6.147 aves mortas por óleo certamente são pingüins, albatrozes, andorinhas do mar, atobas, etc. Ou seja, são aves marinhas que fazem longas rotas migratórias, com funções ecológicas importantes e que estão distribuídas de forma peculiar no planeta sendo muitas espécies endêmicas e outras ameaçadas de extinção.
         Mas e os outros números? As mais de 700 milhões de “aves” mortas por gatos, carros etc.?
         Bom, é agora que a coisa pega. A maior parte das categorias desses casos são de contexto urbano, ou seja, não são pingüins ou aves marinhas raras, mas necessariamente de aves urbanas, principalmente pombas e o pardal. Em ambos os casos, trata-se de espécies exóticas, o primeiro grupo, as pombas, é uma herança trazida por nossas caravelas da época do descobrimento e a segunda, referente a uma única espécie Passer domesticus introduzida mais recentemente vindo também da Europa, e que se alastrou rapidamente e tornando-se um potencial competidor das espécies nativas.
         Lamentavelmente temos uma visão romântica de pombas nas praças e é possível ver essa imagem em qualquer estatua de São Francisco de Assis, como representante de todos os animais sobre a Terra. A verdade é que a pomba é um vetor de várias doenças e um problema de saúde pública, cujo controle e extermínio é adotado por algumas cidades brasileiras. Já o nosso “amigo” pardal é uma espécie bioinvasora que apresentas ampla distribuição estando presente em quase todos os continentes. Atualmente é a espécie de ave com maior distribuição geográfica.          
         Bom, o restante da matéria é recheada de informações superficiais e incompletas, com certos e errados absolutos, com uma falsa visão relativa. Não precisa ser um biólogo, mas apenas um leitor crítico para que notar as incoerências e imparcialidades da revista como um todo.  Ficamos muito mal impressionados com a qualidade dessa edição da revista não só pelo conteúdo, mas também pelo formato que tenta ter uma linguagem moderna e ágil, mas que resulta em matérias superficiais e sem visão crítica.

       Fica aqui uma dica para os professores!!!
       
       Será que perdemos a capacidade de fazermos uma leitura crítica e questionar tudo que estiver “impresso”?

        Sempre Alerta e Bons Ventos!

Imagem de São Francisco de Assis,
"o amigo dos animais" com uma pomba no ombro
Vitral de Igreja:
Pomba como um símbolo que
permeia nosso cotidiano

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O Holandês voador



        Nesta semana fomos visitar nosso amigo Jan e sua fiel cadela Nushka do veleiro JAMALUCE II. Jan é um holandês casado com uma brasileira, gaúcha, que adotou o Brasil para morar. Seu estilo de morar, entretanto, é um pouco diferente do usual. Jan não mora em terra, ele mora há 20 anos a bordo de um veleiro; um estilo que nós aprovamos! Todos os anos ele veleja toda a costa do Brasil e assim como uma ave migratória, passa os outonos-invernos no litoral do Nordeste e primaveras-verões no Sul do país. 
        Bom, embora dê para gastar páginas e páginas descrevendo esse verdadeiro "holandês voador", decidimos colocar aqui um texto traduzido e encaminhado via email por ele para nós.  Como a tradução foi feita com sentimento, com um toque de "sotaque"que nos remete diretamente ao nosso velejador, quase como se estivéssemos ouvindo pessoalmente suas histórias, mantemos o texto Ipsis litteris, ou seja sem mudar nenhuma letra.



        "Cruzeiristo de coração e alma"

Voce "poderia" ser um cruzeiristo de tempo integral se.........
... quando dormes por cima da sua cozinha e literalmente tem que sair de 4 da sua cama...
...deixar a torneira aberta por mais de 2 segundos te faz ringir teus dentes...
...não pensa 2 vezes em fazer uma caminhada de 2 milhas ate o mini-mercado...
...voce é super antenado a qualquer barulho ou cheiro diferente do comum...
...voce  acorda com hematomas estranhas que nãolembras onde ocoreram..
...voce acende o fogão com fosforos e faz a torrada com a chama da boca do fogão..
...voce fica contente com uma comida de uma panela só mesmo se for mal feita...
...voce tem um novo aparelho e a primeira pergunta é ; quantos amperes consome?..
...a tua vida é governada pelo tempo  meteorologico..
...voce tem mais saquinhos com fecho rapido do que normal..
...voce conseguiu dominar a arte de lavar roupas com alguns litros de agua..
...lavagem das tuas roupas é melhor do que feito por maquina de lavar roupa..
...voce veste  em geral a mesma roupa por varios dias e ninguem nota ou se incomoda..
...gelo é um luxo que sempre vem acompanhado por um sorriso aberto....
...papelão é o inimigo e náo é permitido a bordo..
...quando quebra alguma coisa  teu primeiro instinto náo é ¨" quem vou chamar ?:"...
...voce usa WD-40 e T-9  tão frequente como spray de cabelo..
...voce ri alto quando alguem em terra reclama que "não tem espaço"...
...não  se incomoda  com cerveja quente, de fato ate gosta..
...voce não tem ideia alguma oque esta dando na televisão ou no teatro e nes se importa..
...voce soh usa 1/4 do papel toalha de cada vez..
...voce conhece seu  barco como a maioria das pessoas conhecem seus filhos..
...voce deseja mais eletricidade solar e aeolico e tem inveja dos equipamentos dos  outros..
...voce visita um outro barco e fica  com ciumes do espaço que ele tem..
...voce ve a bunda do teu  vizinho antes de ele fazer......
...voce fica exitado quando conseguiu guardar mais energia nas baterias..
...achar uma nova maneira de gaurdar as coisas mais eficiente te deixa super feliz...
...voce passa um trabalho tremendo so de juntar as ferramentas para completar um reparo..
...voce tem mais lanternas do que os exploradores de cavernas....
...voce não consegue visitar uma loja de artigos nauticos sem comprar algo..
...voce sabe a velocidade do vento somente pelo barulho e movimento do barco...
...voce usa  azeite e vinagre não somente para a salada mas para o vaso (regularmente)..

e meu favorito pessoal........

...voce sinceramente não sabe pára onde o dia, semana, mes ou ano vai te levar...



Sempre alerta e bons ventos!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Ilha das Pedras Brancas: navegando em águas perigosas



Sim, o título dessa postagem é apelativo, mas apelativa é também a situação em que se encontra um dos patrimônios culturais do Rio Grande do Sul. Antes de irmos ao cerne da nossa postagem, vamos contextualizar nossa situação. Apesar do barco ser um meio de transporte super eficiente, ele nem sempre é o ideal para fazer explorações mais detalhadas das margens de rios e lagos. Isso porque nas margens a água é geralmente rasa e, por isso, de difícil acesso de barco, uma vez que todos os barcos têm um calado mínimo. Calado em uma embarcação é a parte que fica submersa e que provê maior ou menor estabilidade ao barco. Assim, já faz um tempo que andamos investindo nas travessias de duck (caiaque inflável), que apesar de lento e demandar maior esforço físico, nos permite chegar em praticamente qualquer condição de profundidade de água.



Nosso Duck, batizado de “Darwin”, já nos levou a alguns lugares interessantes. E um desses lugares trata-se da Ilha das Pedras Brancas ou, como é mais conhecida: Ilha do Presídio, finalmente o assunto desta postagem. Essa Ilha está localizada no Guaíba (W051º17,260' S30º 07,290') a 15 minutos de barco do centro de Porto Alegre, ou mais próxima ainda da cidade de Guaíba. O lugar visto de longe é charmoso, mas extremamente sombrio e, quando somado aos acontecimentos do passado, é fácil associar a ilha com histórias de fantasma e assombrações. Porém, a nossa expedição ao local nos deixou com uma impressão bem diferente do que foi-nos relatado. No percurso que durou uma hora e quinze minutos de remada, encontramos um pai e filho dando voltas de bote no rio, uma baleeira com vários escoteiros do mar em plena navegada e um trio de remadores em seus caiaques com um sorriso nos rostos e histórias para contar. 
 
Quando chegamos, pensamos ter feito uma travessia pouco usual, ficamos cogitando que poderíamos ter sido o primeiro casal a chegar na Ilha em um caiaque inflável. Ledo engano, pois para a nossa agradável surpresa, quando chegamos ao trapiche construído na Ilha vimos outro Duck atracado ali. Logo em seguida, fomos recebidos pelos donos do Duck, um casal de remadores com muita experiência de navegação. Além de nos dar as boas-vindas, eles nos mostraram toda a ruína do presídio e nos contaram a história de lá, com informações detalhadas da arquitetura do presídio e as funcionalidades de cada cômodo. Além deles, chegaram à Ilha um grupo de escoteiros preparando o almoço em meio às pedras e às ruínas. Também encontramos alguns alunos da escola de vela que estavam visitando o local pela primeira vez. 
 


         Segundo informações do casal, complementadas depois por relatos na internet e em livros, a Ilha foi palco de um repertório de episódios ao longo da história como a revolução farroupilha, onde foi posto de observação dos imperialistas. Mais tarde a Ilha foi utilizada como depósito de munição e ficou conhecida como Ilha da Pólvora. Em 1956 foi construído um presídio para presos políticos sob o regime militar. 

        Além de servir de encarceramento a presos políticos durante a ditadura militar, o presídio ficou famoso pelos casos de tortura e mortes não esclarecidas de presos políticos e comuns. E não foi apenas uma vez que ouvimos designar-se a Ilha como “a casa da nossa presidenta”. Apesar dessa informação estar sendo disseminada, não achamos qualquer evidência de que a presidente Dilma Rousseff tenha sido presa no local. O que encontramos é que seu ex-marido Carlos Araújo é quem de fato ficou preso lá. Caso que ele conta em um livro sobre a Ilha.

 Depois de almoçarmos e realizarmos uma pequena expedição de reconhecimento na ilha, acompanhados pelos nossos novos amigos de remadas, continuamos até às 15h tirando fotos e registrando nossas impressões sobre o local. Por fim, ao nos despedirmos da ilha nos deparamos com uma família de pescadores que passariam o resto da tarde no local. Diferente do que pensávamos a Ilha era bem agradável,  mas está entregue ao descaso e às intempéries.
         Não pretendemos fazer aqui um levantamento histórico sobre a Ilha do Presídio, pois além de não termos coletado informações confiáveis sobre ela, em um relato pequeno como este tornaria o levantamento muito superficial. Então o que nós gostaríamos de salientar aqui é que ficamos impressionados com o que há na Ilha em termos da memória do país. Entretanto, como já dissemos, apesar do seu valor histórico inquestionável, as construções estão à mercê de vândalos e sobre total descaso da administração pública, e, é praticamente desconhecida para a maioria dos gaúchos. A fama que procede dos relatos de navegadores faz jus à sua aura de mistério, cujo abandono talvez torne as construções, assim como a memória do local, irreconhecíveis com o passar do tempo.

          O que mais temos encontrado na internet e em comentários sobre qual seria o melhor aproveitamento da Ilha foram propostas de construções de bares ou restaurantes para que ela se torne um local de lazer/turismo. Entretanto, achamos que pelo seu valor histórico, principalmente de uma fase do Brasil que deve ser relembrada sempre, consideramos imprescindível a presença ao menos de placas informativas contando a história do local, com fotos antigas e plantas originais das construções. Assim imaginamos um belo museu, uma escola de velas, um teatro na ilha, o “clube de ciências” e tudo mais que poderia ser feito. Que feliz seria a família de zeladores que cuidariam da ilha em seu novo emprego. A ilha deixaria de ser uma ilha fantasma e assombrada pelo descaso das autoridades e da população...

 Sempre alerta e bons ventos!








Descanso na bóia à deriva
Respiro
Explorando as margens




Terra à vista!

Casal anfitrião
Preparando o almoço!










Novos amigos de caiaque

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Espécie da semana

        Em homenagem ao símbolo do Ciência a bordo, decidimos compartilhar esse video para ilustrar nossa espécie da semana. Assim como para a coruja do vídeo, a ternura também se torna essencial para o bom exercício da sabedoria.



Sempre alerta e bons ventos!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

"Ciência a bordo" está na revista Velejar e Meio Ambiente deste mês...

           Veja a reportagem na integra na revista  Velejar e Meio Ambiente, # 52    Ano 8    

                  Queremos agradecer a toda redação da revista Velejar e Meio Ambiente por ter nos possibilitado compartilhar nossos projetos e sonhos.  



                                                                                                                              

Sempre Alerta e Bons Ventos!

sábado, 29 de outubro de 2011

Projeto: “Remando Contra a Maré”: Resgatando os Clubes de Ciências



O Projeto “Ciência a bordo” está completando oito meses de existência, período esse em que vivenciamos muitas experiências, tanto do ponto de vista filosófico como prático. Foram vivências que acabaram por moldar e definir os objetivos e metas que queremos alcançar com o projeto. Ao longo desses meses pudemos interagir não só com as pessoas do meio náutico, mas também com professores e alunos de diversas instituições de ensino.
O que percebemos é que nossa proposta chama mais atenção pelo seu método diferenciado do que o resultado final propriamente dito. Tal fato serviu para refletirmos sobre os rumos que devemos tomar e chegamos a algumas questões centrais: (1) por que não compartilhar, pelo menos parte dessa experiência na prática, e ir além da contribuição apenas com relatos escritos? (2) qual o modelo ideal para ser aplicado no nosso contexto? (3) E o velho modelo de “clube de ciências” na escola? (4) O interesse pelos fenômenos da natureza foi perdido? (5) Qual o efeito do desinteresse pelas ciências naturais sobre as crianças e adolescentes? (6) Como a desvinculação com a ciência inviabiliza o trabalho de questões relacionadas ao meio ambiente? (7) De que formas atividades ao ar livre podem tornar o aprendizado de ciências mais interessante?
Pensando nessas questões, resolvemos arriscar um palpite. Quando vamos atrás de material para o “Ciência a bordo” vivemos momentos de descobertas que nos deram muito prazer (Ver vídeo Araça II). Assim, achamos que através de atividades ao ar livre (canoagem, vela, caminhada, ciclismo etc.) poderíamos fazer uma interpretação dos fenômenos naturais, que aliados a vivência em grupo, poderiam propiciar aos alunos e professores esse prazer pela descoberta. Pensando nisso, nosso objetivo deixou de ser apenas a produção de material de apoio, produzidos exclusivamente por nós. Agora nós queremos viabilizar um meio para que crianças, adolescentes e professores possam produzir, “in loco”, o próprio material, seja pela produção de documentários, vídeos curtos, entrevistas ou até mesmo uma pesquisa de campo própria. Essa autonomia torna os alunos e professores donos de seus próprios projetos, o que lhes permitiriam cobrir seus interesses particulares e encarar seus próprios desafios e curiosidades.
Quem já teve a oportunidade de coletar uma pegada de um animal silvestre na natureza por meio de molde de gesso? E o que pode ser feito pelo professor com um material desse tipo produzido em áreas próximas a escola de atuação? Uma maneira que pensamos de inserir esse tipo de atividade na rotina escolar é resgatando os tradicionais “clubes de ciências” com o desenvolvimento de núcleos de estudos com atividades teórico/práticas. Os clubes permitiriam a troca de idéias entre alunos, professores e a comunidade. Assim, o nosso objetivo continua sendo a produção de material didático de apoio, mas queremos por meio da formação de “clubes de ciências”, incorporar as técnicas de produção de vídeos/documentários para que alunos e professores possam também ser agentes ativos na produção de material de divulgação científica.
Queremos dessa forma ampliar a sala de aula de acordo com a demanda de interesse e necessidades dos próprios clubes de ciências. Promovendo encontros entre os clubes, palestras, cursos e exposições sobre as atividades desenvolvidas por cada clube. Sabemos que esse projeto só terá resultados se contarmos com o apoio dos professores. Eles serão nossos maiores parceiros. Então resolvemos criar um “projeto Piloto” que será executado em uma escola pública com um número reduzido de alunos. Para nossa felicidade nosso primeiro contato com a escola foi sensacional e muito emocionante... Mas isso já é outra história, e será contada mais adiante.
        Por último, queremos falar aos nossos parceiros e futuros apoiadores. Nosso projeto é fruto não de uma idéia, mas de um sentimento verdadeiro de querer construir algo que seja bom. Queremos levar esse sonho a outras pessoas por meio de nossas vivências, conquistas e acima de tudo pela troca de experiências. Assim, nossos parceiros devem compartilhar dos mesmos sonhos e sentimentos e, isso não pode ser diferente. Nosso trabalho é voluntário e não tem fins lucrativos e novas parcerias e novas idéias são sempre bem-vindas.

“Por que eu sempre nado contra a corrente?
Porque só assim se chega às nascentes”

José Lutzenberger
   

Sempre Alerta e Bons Ventos!

Molde de gesso: qual a pegada?
Pegada de Quexada
Pegada recente de onça pintada
Molde de pegada de onça pintada
Fator Uau!
Saindo de reconhecimento
Sala de aula ao ar livre a bordo do Darwin, o duck
 
 

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Onça parda que apareceu na Zona Norte de São Paulo fugiu de queimada

Ficamos surpresos com essa reportagem e resolvemos compartilhar aqui...



SÃO PAULO - A onça parda que apareceu no quintal de uma casa no Jardim Rincão, na Zona Norte de São Paulo, saiu do Parque da Cantareira para fugir de uma queimada. Na semana passada, uma parte da mata pegou fogo. O animal, um macho de apenas um ano, 25 quilos e 1,60 metro de comprimento (medido da ponta da cauda ao nariz), foi resgatado pelos bombeiros e pela Polícia Ambiental na madrugada desta quinta-feira, por volta de 3h, depois de ser acuado pelo cachorro da família. Esta é a segunda onça que aparece em área habitada em pouco mais de duas semanas na Grande São Paulo. A primeira foi resgatada em cima de uma árvore em Franco da Rocha, município vizinho à capital.
No Jardim Rincão, os moradores dormiam quando ouviram o cachorro latindo. Acordaram a viram a onça no quintal. O cachorro ficou latindo por cerca de uma hora e manteve a onça acuada em um canto. Na frente da casa há um muro e um portão, que estava fechado.
- Meu filho ligou falando que tinha uma onça aqui no quintal. Eu não acreditei. Eu subi na laje, foi quando eu me deparei com uma onça no meu quintal - contou.
- Liguei para os bombeiros, cinco, seis vezes, o bombeiro demorou para chegar.
Laçada pelos bombeiros, a onça deu trabalho para entrar na gaiola, mas não chegou a ser sedada. Como não tinha ferimentos, a Polícia Ambiental a manteve até a manhã desta quinta-feira. Às 8h, a onça foi entregue ao Zoológico de Guarulhos, onde recebeu os primeiros cuidados.
- Anestesiei e cuidei dele - diz Fernanda Magalhães, veterinária do Zoo.
Segundo Fernanda, a onça está com carrapatos e pulgas - estas últimas provavelmente adquirida pela presença de animais domésticos. Foram coletados sangue e urina para exames laboratoriais e foi instalado um microchip para identificação do bicho. Até meio dia, a onça ainda estava dormindo devido à sedação.
- Vamos servir frango vivo. Um por dia, para manter o instinto da caça - explica Fernanda.
A veterinária diz que, na natureza, o animal não encontra caça todo dia. Portanto, um frango de três quilos, diariamente, é suficiente para alimentá-lo. Depois que observar o comportamento da onça, para ver se ela se alimenta e se não tem outros problemas, os profissionais do Zoo vão discutir com autoridades onde soltá-la. Fernanda afirmou que o tempo de cativeiro tem de ser pequeno, para que o animal não perca o instinto, que lhe garante vida em liberdade. A onça encontrada em Franco da Rocha também foi cuidada pelo Zoo de Guarulhos e libertada do Parque Estadual do Juqueri.
A queimada precipitou a saída do animal da mata, mas a pressão urbana torna cada vez mais difícil a vida dos animais silvestres. Mauro Sérgio Norberto, da Polícia Ambiental, explica que a onça parda, também conhecida como sussuarana, é endêmica da Grande São Paulo. Por incrível que pareça, o animal consegue sobreviver nos fragmentos de floresta que continuam em pé, como a Serra da Cantareira, o Parque Anhanguera, o Parque do Jaraguá e o núcleo Krukutu, na região de Parelheiros, na área da Serra do Mar, onde também há aldeia de índios - uma das duas únicas da cidade.
Norberto explica que as onças vivem sozinhas. No caso das duas onças resgatadas, elas estão justamente na fase de "adolescência", quando buscam espaço próprio. As onças vivem sozinhas, não em bandos, e só se encontram para acasalar. Cada indivíduo da espécie precisa, para viver apertado, de um espaço de 10 km/2. E o espaço está cada vez menor para os bichos.
- Quando o filhote cresce ele não pode permanecer no território dos pais, que já dominam aquela área. Por isso, têm de achar um novo espaço - diz o policial.
Animal de hábitos noturnos, a onça achada em Franco da Rocha já havia sido vista por moradores. A Polícia Ambiental orienta que os bombeiros ou a Polícia Ambiental sejam acionados pelo telefone 190. Na área urbana, os bichos ficam acuados. A primeira reação deles é fugir, mas não está descartada a possibilidade de morder alguém

Por Cleide Carvalho (cleide.carvalho@sp.oglobo.com.br)

Agência O Globo

Para recordar...

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Naturalista



        Hoje vamos compartilhar um pouco da história de um cientista chamado Edward Osborne Wilson, nascido no Alabama, Estados Unidos, no dia 10 de junho de 1929. Wilson é um renomado biólogo nas áreas de ecologia, evolução e sociobiologia, e muito conhecido por seus debates sobre a sociobiologia. Como reconhecimento do seus trabalhos no meio científico, Wilson obteve diversos prêmios: o prêmio Crafoord, medalha nacional de ciência dos EUA e, nada mais nada menos que dois prêmios Pulitzer, além de ter sido considerado pela revista Time como um dos cientistas mais influentes da América.

        Porém, não é apenas pela sua notoriedade acadêmica que resolvemos escrever sobre esse admirável cientista, mas também pela sua vida inspiradora, fora do meio científico. Lendo sua autobiografia, encontramos algo que gostaríamos de compartilhar com todos os leitores do blog, em especial com os membros no movimento escoteiro: chefes, escoteiros e escoteiras. No livro, Wilson dá um depoimento maravilhoso de quem vivenciou e entendeu o que é ser escoteiro. E, ao invés de descrever nossa interpretação das palavras do autor, resolvemos transcrever diretamente algumas passagens do livro que julgamos serem importantes. As passagens colocadas aqui tratam-se de um convite a reflexão sobre o quanto o movimento escoteiro pode influenciar positivamente a vida de cada um de nós.

        Bom, uma das passagens que mais nos alegrou é relacionada ao método e programa escoteiro, que sempre manteve uma relação direta com a natureza:

“O Handbook for Boys de 1940, que comprei por meio dólar, tornou-se o mais querido de meus pertences. Cinquenta anos depois ainda com renovado prazer releio meu exemplar original anotado. Ricamente ilustrado, com capa de Norman Rockwell, estava cheio de informações úteis sobre os assuntos de que eu mais gostava. Punha ênfase na vida ao ar livre e na história natural: em acampamentos, caminhadas, natação, higiene, comunicação por sinais, primeiros socorros, feitura de mapas e, sobre tudo zoologia e botânica... As escolas públicas e a igreja não tinham me oferecido nada igual. A organização dos Escoteiros legitimava a Natureza como centro de minha vida.”

      Sabemos que existem diversas atividades ao ar livre e que não é necessário ser escoteiro para praticá-las, porém, o que diferencia o movimento escoteiro dessas outras atividades ao ar livre é seu pano de fundo. Nele está inserido um sistema de valores que julgamos serem Universais, e é essa mesma opinião que Wilson enfatiza na seguinte passagem do livro:

“... se hoje estimulo minha memória levantando a mão direita com os três dedos do meio para cima, cruzando abaixo o polegar e o mindinho, ainda sou capaz de recitar o juramento dos escoteiros:

Por minha honra farei todo o possível
Para cumprir com o meu dever com Deus e o meu país
E obedecer a lei dos escoteiros;
Para ajudar o tempo todo outras pessoas;
Para manter-me fisicamente forte, mentalmente alerta e moralmente correto.

Aceitando-as, embebi-me de todas essas palavras. E ainda o faço, por mais ridículo que possa parecer a meus colegas do ramo intelectual...”

Todas as fotos foram retiradas de http://www.achievement.org/autodoc/page/wil2pro-1


Sempre Alerta e Bons Ventos!

Escoteiro "Lis de Ouro"grau máximo do ramo escoteiro
Até hoje um "escoteiro"


quinta-feira, 23 de junho de 2011

O observador de nuvens

“Na direção Sul, onde o céu estivera perfeitamente limpo até uma hora antes, havia então um manto de nuvens cobrindo o Puromi, o Ama Dablam e outros picos menores que rodeiam o Everest.
Mais tarde – depois que foram localizados seis corpos, depois que a busca de outros dois foi abandonada, depois que os médicos amputaram a mão direita gangrenada de meu companheiro de equipe Beck Weathers, as pessoas se perguntaram por que, se o tempo começará a piorar, os alpinistas não prestaram atenção aos sinais. Por que aqueles veteranos guias do Himalaia continuaram subindo e conduzindo um bando de amadores relativamente inexperientes – que pagaram 65 mil dólares para chegar em segurança ao Everest- rumo a uma evidente armadilha mortal?”

Trecho retirado do livro No ar rarefeito: um relato de uma tragédia no Everest em 1996. pág. 22

         Embora ocorram tragédias como esta a maioria dos casos, inclusive esse, de mudanças de tempo, pode ser prevista. Ao sair para uma atividade ao ar livre podemos observar o céu e prever, com boa margem de acerto, como o tempo se apresentará nas próximas horas. E importante lembrar que os ventos e a temperatura do ar também têm influencia nesta previsão. No meio náutico as informações sobre o tempo podem ser tiradas por instrumentos a bordo ou por meio de cartas de tempo transmitidas por estações costeiras ou serviços especiais. Mesmo assim, noções básicas de meteorologia que lhe possibilitem interpretar os fenômenos atmosféricos são sempre bem-vindas. Lamentavelmente esse assunto só é tratado no ensino fundamental e, obviamente, de forma superficial. O potencial do assunto é enorme e vai desde conceitos da física e da química até a classificação biológica proposta por Carolus Linnaeus.


          As nuvens são classificadas semelhantes ao sistema “Lineano” de gênero e espécie para a classificação de organismos vivos sendo os critérios de identificação a altura e a aparência. A maior parte das nuvens se encaixa em um dos dez grupos básicos chamados “gênero”. No final desta postagem, apresentamos uma pequena “coleção” de espécies de nuvens encontradas em nossas viagens.


Que nuvem é essa?



Altocumulus floccus

Cirrus floccus

Cirrus uncinus

Cirrostratus

Cirrostratus 2

Cumulonimbus

Cumulunimbus capillatus

Cumulus humilis

Cumulus mediocris

Cumulus radiatus

Cumulus

Stratocumulus stratiformis opacus

Stratocumulus

Stratocumulus 2

Stratus


combinacao de nuvens


Descubra ...

Descubra ...
The Cloud



I bring fresh showers for the thirsting flowers,
From the seas and the streams;
I bear light shade for the leaves when laid
In their noonday dreams.
From my wings are shaken the dews that waken
The sweet buds every one,
When rocked to rest on their mother's breast,
As she dances about the sun.
I wield the flail of the lashing hail,
And whiten the green plains under,
And then again I dissolve it in rain,
And laugh as I pass in thunder.


I sift the snow on the mountains below,
And their great pines groan aghast;
And all the night 'tis my pillow white,
While I sleep in the arms of the blast.
Sublime on the towers of my skiey bowers,
Lightning, my pilot, sits; In a cavern under is fettered the thunder,
It struggles and howls at fits;
Over earth and ocean, with gentle motion,
This pilot is guiding me,
Lured by the love of the genii that move
In the depths of the purple sea;
Over the rills, and the crags, and the hills,
Over the lakes and the plains,
Wherever he dream, under mountain or stream,
The Spirit he loves remains;
And I all the while bask in Heaven's blue smile,
Whilst he is dissolving in rains.
The sanguine Sunrise, with his meteor eyes,
And his burning plumes outspread,
Leaps on the back of my sailing rack,
When the morning star shines dead;
As on the jag of a mountain crag,
Which an earthquake rocks and swings,
An eagle alit one moment may sit
In the light of its golden wings.


And when Sunset may breathe, from the lit sea beneath,
Its ardors of rest and of love,
And the crimson pall of eve may fall
From the depth of Heaven above,
With wings folded I rest, on mine aery nest,
As still as a brooding dove.


That orbed maiden with white fire laden,
Whom mortals call the Moon,
Glides glimmering o'er my fleece-like floor,
By the midnight breezes strewn;
And wherever the beat of her unseen feet,
Which only the angels hear,
May have broken the woof of my tent's thin roof,
The stars peep behind her and peer;
And I laugh to see them whirl and flee,
Like a swarm of golden bees,
When I widen the rent in my wind-built tent,
Till the calm rivers, lakes, and seas,
Like strips of the sky fallen through me on high,
Are each paved with the moon and these.


I bind the Sun's throne with a burning zone,
And the Moon's with a girdle of pearl;
The volcanoes are dim, and the stars reel and swim
When the whirlwinds my banner unfurl.
From cape to cape, with a bridge-like shape,
Over a torrent sea,
Sunbeam-proof, I hang like a roof,--
The mountains its columns be.


The triumphal arch through which I march
With hurricane, fire, and snow,
When the Powers of the air are chained to my chair,
Is the million-colored bow;
The sphere-fire above its soft colors wove,
While the moist Earth was laughing below.


I am the daughter of Earth and Water,
And the nursling of the Sky;
I pass through the pores of the ocean and shores;
I change, but I cannot die.
For after the rain when with never a stain
The pavilion of Heaven is bare,
And the winds and sunbeams with their convex gleams
Build up the blue dome of air,
I silently laugh at my own cenotaph,
And out of the caverns of rain,
Like a child from the womb, like a ghost from the tomb,
I arise and unbuild it again.

Percy Bysshe Shelley

Sempre Alerta e Bons Ventos!