Como nasceu o "Ciência a bordo"

Nos tornamos biólogos pela curiosidade e pelo fascínio sobre os fenômenos naturais. Estudamos e ensinamos conteúdos que muitas pessoas, inclusive nós, nunca tiveram ou teriam a oportunidade de testemunhar. E, assim como alguém com espírito aventureiro não fica satisfeito de apenas conhecer e contar a vida de um grande explorador, nós também não nos satisfizemos em apenas repetir o que está nos livros. Em uma tentativa de complementar aquilo que ensinamos e aprendemos nasceu o projeto "Ciência a bordo", fruto de duas paixões: a ciência e a vela.

We have become biologists by curiosity and fascination about natural phenomena. We study and teach content that many people, including us, have never had or would have the opportunity to testify. And the same way someone with an adventurous spirit would not be satisfied only knowing and telling the life of a great explorer, we do not have satisfied ouselves in just repeat what is in books. In an attempt to complement what we teach and learn in our scientific life the project "Ciência a bordo" (Science on board) was born, as a result of two passions: science and sailing.

domingo, 13 de março de 2011

"Vê para além dos montes"

Sempre assistimos programas ou lemos livros de relatos de viagens ou grandes aventuras. Quando acabamos de assistir ou ler temos um de dois tipos de sensações: ou uma sensação de ter realmente vivenciado tudo aquilo que foi mostrado e descrito, ou então, uma sensação de apenas ter visto imagens bonitas e descrições detalhadas de experiências puramente visuais.

           A partir daí, nos perguntamos sempre o que determina cada uma das impressões. Qual a diferença entre as abordagens nos faz ter um desses dois tipos de experiência? Depois de um tempo discutindo isso, não foi difícil chegar a conclusão de que a diferença estava no conteúdo não só cultural, mas também científico do apresentador ou autor.

Quando dizemos científico não estamos falando do nível de instrução  do apresentador, mas do seu olhar científico-investigativo, ou seja, do grau de curiosidade da pessoa.  Esse grau de curiosidade determina o tipo de observador que cada um é. Quando essa curiosidade aguçada existe, a pessoa, até por uma necessidade pessoal, acaba por explicar de forma bem didática um acontecimento que para o outro pareceria corriqueiro.

Esse instinto é independente da formação, profissão, idade, sexo e até da capacidade intelectual de cada um. Foi pela sua incrível capacidade de observação que a bordo do Beagle Charles Darwin começou a tecer sua teoria. Quase cinco anos a bordo de uma embarcação que passou por lugares como a Patagônia,  Terra do Fogo, Nova Zelândia e Galápagos, Darwin observou alguns padrões gerais e diferenças individuais que o conduziram a sua Teoria da evolução.

Entretanto, como o próprio Darwim relatou em seus livros “Para ser um bom observador é preciso ser um bom teórico” as imagens, por si só, não serão suficientes para uma visão integral da natureza e da vida. Na atualidade podemos citar o memorável Amyr Klink que chamou atenção do mundo a bordo de seu minúsculo barco a remo IAT e, por meio de seus relatos mostrou de forma elegante a importância do meio ambiente e o descaso de muitos países, inclusive o Brasil, com seus sistemas costeiros e lacustres.      


       Terminamos essa postagem com uma frase citada por Amyr Klink em seu livro “Mar sem fim”:

"Hoje entendo o meu pai...
Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.


Sempre Alerta e Bons ventos
!



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