Como nasceu o "Ciência a bordo"

Nos tornamos biólogos pela curiosidade e pelo fascínio sobre os fenômenos naturais. Estudamos e ensinamos conteúdos que muitas pessoas, inclusive nós, nunca tiveram ou teriam a oportunidade de testemunhar. E, assim como alguém com espírito aventureiro não fica satisfeito de apenas conhecer e contar a vida de um grande explorador, nós também não nos satisfizemos em apenas repetir o que está nos livros. Em uma tentativa de complementar aquilo que ensinamos e aprendemos nasceu o projeto "Ciência a bordo", fruto de duas paixões: a ciência e a vela.

We have become biologists by curiosity and fascination about natural phenomena. We study and teach content that many people, including us, have never had or would have the opportunity to testify. And the same way someone with an adventurous spirit would not be satisfied only knowing and telling the life of a great explorer, we do not have satisfied ouselves in just repeat what is in books. In an attempt to complement what we teach and learn in our scientific life the project "Ciência a bordo" (Science on board) was born, as a result of two passions: science and sailing.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

A Amazônia viva

     “Ali viviam animais. Ali encontravam eles seus alimentos (…)”

     
      Que nunca tenhamos que pronunciar essas palavras quando nos referirmos ao que vimos e vivenciamos por lá. Acampados no meio da floresta amazônica e nos deslocando de barco por mais de 400 km pelo Madeira, e seus afluentes, tentamos registrar tudo para compartilharmos aqui nossas histórias.

    A primeira sensação que tivemos, com toda aquela floresta exuberante, é um misto de isolamento do resto do mundo e contemplação diante de paisagens tão impressionantes.
Amblipígio artrópode aracnídeo
      Basta um olhar pouco comprometido e lá está um habitante da floresta com todo seu arsenal de forma e estratégias de sobrevivência. Tivemos a oportunidade de realizar algumas incursões noturnas em igarapés, igapós e na floresta de terra firme na companhia de vários colegas de profissão. Com a diversidade de pessoas, e por isso de bagagens científicas variadas, “descobrimos” algumas criaturas bem peculiares que, lamentavelmente, poucas pessoas terão a oportunidade de conhecer um dia.

     Não há dúvidas que voltamos diferentes a cada expedição, um mundo maior e mais complexo se apresenta a cada instante e expõe toda nossa ignorância perante algo tão sublime, grandioso e bizarro. Todos os nossos sentidos são testados e se o Cosmo nos é indiferente a Natureza, não. A cada momento somos lembrados que por lá somos apenas mais um recurso, seja para dípteros (moscas e mosquitos) hematófagos, ácaros, carrapatos, abelhas lambedoras de olhos e borboletas em busca do sal de nosso suor.
Theobroma grandiflorum (Cupuaçu)
     Os machos de algumas borboletas necessitam de sal para maturarem suas gônadas e poderem se reproduzir. Com todo o calor e umidade que estamos expostos no trópico somos uma fonte quase inesgotável de tal recurso.
       Encontramos desde pequenos peixes que sobrevivem em pequenas poças temporárias, até aranhas caranguejeiras com mais de 30 cm de comprimento, minhocas com mais de um metro de comprimento e formas minúsculas, mas não menos belas, de fungos no solo da floresta.   Uma das imagens mais poéticas que registramos foi de um cupuaçu com todas suas sementes germinando no solo úmido e escuro da floresta.

      Tivemos ainda a oportunidade de coletar, com molde de gesso, várias pegadas “fresquinhas”, sendo uma delas, de uma onça pintada adulta que passou no mesmo local poucas horas antes da gente.  
Terminamos aqui essa postagem para que as imagens falem o restante por nós.

Um diplopodo
Avicularia juruensis












Lepidoptera atraída pelo suor

Fungo











Minhocuçu, oligoqueto que pode atingir mais de 60cm
Molde em gesso de pegada de onça
  






Macho de Theraphosa blondi (foto de Celso Varela Rios)
 



Sempre Alerta e Bons Ventos!




2 comentários:

  1. A aranha na foto de "Celso Varela Rios" é do gênero Pamphobeteus, e não uma Theraphosa blondi.

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  2. Olá.
    Gostei do blog de vocês.
    Também sou Bióloga e professora. Estava procurando uma imagem de um Ambiplígio e encontrei essa aí acima. Postei a foto no Facebook e coloquei o link do blog de vocês já que não sei quem é o autor da foto. Há algum problema? Caso se incomodem com minha atitude, é só me avisarem que apago a foto. Deixo a seguir o link do meu perfil caso queiram adicionar e conferir a postagem da imagem com a respectiva identificação do blog. Abraços (Wélida).
    https://www.facebook.com/welida.flavio

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