Como nasceu o "Ciência a bordo"

Nos tornamos biólogos pela curiosidade e pelo fascínio sobre os fenômenos naturais. Estudamos e ensinamos conteúdos que muitas pessoas, inclusive nós, nunca tiveram ou teriam a oportunidade de testemunhar. E, assim como alguém com espírito aventureiro não fica satisfeito de apenas conhecer e contar a vida de um grande explorador, nós também não nos satisfizemos em apenas repetir o que está nos livros. Em uma tentativa de complementar aquilo que ensinamos e aprendemos nasceu o projeto "Ciência a bordo", fruto de duas paixões: a ciência e a vela.

We have become biologists by curiosity and fascination about natural phenomena. We study and teach content that many people, including us, have never had or would have the opportunity to testify. And the same way someone with an adventurous spirit would not be satisfied only knowing and telling the life of a great explorer, we do not have satisfied ouselves in just repeat what is in books. In an attempt to complement what we teach and learn in our scientific life the project "Ciência a bordo" (Science on board) was born, as a result of two passions: science and sailing.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O velho e o mar

        (...) O que tens aprendido? Essa é uma pergunta diária que herdei e que levo nos meus pensamentos no final do dia antes de dormir. Vivenciando o meio náutico percebemos que o “Barco” é quase um microcosmo; uma representação em pequena escala de tudo que existe a nossa volta. Aqui temos que aprender desde culinária a bordo (acredite existe diferenças em cozinhar numa casa e num barco), elétrica, mecânica de motor de popa, meteorologia, tábuas de marés... enfim, é um longo caminho. E o melhor de tudo é que, segundo um jovem casal de velejadores, “os anos a bordo não são contabilizados”. Descobrimos a fonte da juventude! Entretanto descobrimos também grandes vantagens em “envelhecer”. 
Grande parte dos velejadores, principalmente os de cruzeiro, são pessoas com grande experiência náutica, pessoas mais velhas que acumularam experiências e muitas, muitas histórias. O mais legal é que esses velejadores de cabelos brancos ou sem cabelos (a pedidos)!!! adoram compartilhá-las e talvez pelos anos de experiência a mais, eles têm um outro ritmo, parece que o tempo se prolonga mais para eles. Além de muita paciência para nos ensinar, conversar com eles têm sido para nós uma fonte inesgotável de sabedoria em cada marina ou trapiche, um verdadeiro caminho ao auto-conhecimento! Percebemos que cursos, livros, DVDS e tudo mais que tiver disponível no mercado ou na net não são o suficiente e não se comparam a cada palavra e história que escutamos a bordo. Qualquer que seja o Porto em que estejamos atracados, temos a oportunidade de aprender fazendo, aprender errando e principalmente aprender com os erros e acertos dos mais experientes os “mais velhos”. .

         Na obra O Velho e o Mar, escrito por Ernest Hemingway, o velho sábio é representado por um personagem de nome Santiago, descobrimos muitos por aí ... e como a bordo os anos não são contabilizados, eles não envelhecem nunca.



        Dedicamos essa postagem aos amigos velejadores do Arachane, Spittlebug, Katavento, Acalantho e a Família do veleiro "Travessura" que estão pelos mares do mundo. E, por último, mas não menos importante nosso amigo André do "Star" representando os mais jovens.


Sempre alerta e bons ventos!










Manhã cedo, dia de limpeza!
Guinchando para limpar o casco
Água e esfregão
De volta à água!
"Olhando" o vento
Para variar: biguás!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Os ventos nos levam a Itapuã...



        Atracados à beira do Guaíba em Porto Alegre sempre temos nossos pensamentos em um local muito especial, próximo daqui e, melhor, acessível por barco: o Parque Estadual de Itapuã –RS. Localizado, por terra, a 57 km da capital gaúcha, Itapuã é o último remanescente dos ecossistemas da Região Metropolitana de Porto Alegre. 
        Sua fisionomia apresenta um misto de várias fisionomias presentes (ou uma vez presentes) no estado do Rio Grande do Sul: campos rupestres, matas de restinga, dunas, sistemas lacustres com morros às margens do lago Guaíba até a laguna dos Patos. Além da enorme importância ambiental, o parque também apresenta vários sítios arqueológicos. Lá, palco de combates entre os farrapos e o Império durante a Revolução Farroupilha, estão duas embarcações afundadas próximo a Praia das Pombas. 

        Hoje, porém, queremos chamar a atenção para um fato muito curioso que ocorre lá. Além da paisagem e da variedade de plantas e animais, o que se nota rapidamente são as numerosas aranhas caranguejeiras que andam calmamente pelo chão. Ao longo de todos os acessos por trilhas e ou estradas, desde as margens do Guaíba, até o ponto mais alto do Morro da Grota, é quase certo de se encontrar enormes aranhas caranguejeiras da família das Theraphosidae. Essa família de aranhas apresenta mais de 800 espécies conhecidas pela ciência. Algumas espécies são arborícolas e outras vivem em baixo de pedras, sendo a maioria de vida terrestre. 
      
        Temos registros fotográficos, filmes e ainda pretendemos produzir muito material fruto de nossas expedições por lá. Queremos registrar o que tiver de mais interessante para produzirmos com qualidade um material de apoio a alunos e educadores, uma vez que esse é o objetivo central do projeto Ciência a bordo.

        Por último, mas não menos importante! Queremos dedicar essa postagem ao nosso querido amigo, e uma vez também frequentador do Parque de Itapuã: Gustavo Closs de Marchi! Obrigada por toda a sua genialidade (!) em captar nossa essência e colocá-la no nosso novo e lindo logo! Coruja sábia e expressiva!

Sempre Alerta e Bons Ventos!