Como nasceu o "Ciência a bordo"

Nos tornamos biólogos pela curiosidade e pelo fascínio sobre os fenômenos naturais. Estudamos e ensinamos conteúdos que muitas pessoas, inclusive nós, nunca tiveram ou teriam a oportunidade de testemunhar. E, assim como alguém com espírito aventureiro não fica satisfeito de apenas conhecer e contar a vida de um grande explorador, nós também não nos satisfizemos em apenas repetir o que está nos livros. Em uma tentativa de complementar aquilo que ensinamos e aprendemos nasceu o projeto "Ciência a bordo", fruto de duas paixões: a ciência e a vela.

We have become biologists by curiosity and fascination about natural phenomena. We study and teach content that many people, including us, have never had or would have the opportunity to testify. And the same way someone with an adventurous spirit would not be satisfied only knowing and telling the life of a great explorer, we do not have satisfied ouselves in just repeat what is in books. In an attempt to complement what we teach and learn in our scientific life the project "Ciência a bordo" (Science on board) was born, as a result of two passions: science and sailing.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

O observador de nuvens

“Na direção Sul, onde o céu estivera perfeitamente limpo até uma hora antes, havia então um manto de nuvens cobrindo o Puromi, o Ama Dablam e outros picos menores que rodeiam o Everest.
Mais tarde – depois que foram localizados seis corpos, depois que a busca de outros dois foi abandonada, depois que os médicos amputaram a mão direita gangrenada de meu companheiro de equipe Beck Weathers, as pessoas se perguntaram por que, se o tempo começará a piorar, os alpinistas não prestaram atenção aos sinais. Por que aqueles veteranos guias do Himalaia continuaram subindo e conduzindo um bando de amadores relativamente inexperientes – que pagaram 65 mil dólares para chegar em segurança ao Everest- rumo a uma evidente armadilha mortal?”

Trecho retirado do livro No ar rarefeito: um relato de uma tragédia no Everest em 1996. pág. 22

         Embora ocorram tragédias como esta a maioria dos casos, inclusive esse, de mudanças de tempo, pode ser prevista. Ao sair para uma atividade ao ar livre podemos observar o céu e prever, com boa margem de acerto, como o tempo se apresentará nas próximas horas. E importante lembrar que os ventos e a temperatura do ar também têm influencia nesta previsão. No meio náutico as informações sobre o tempo podem ser tiradas por instrumentos a bordo ou por meio de cartas de tempo transmitidas por estações costeiras ou serviços especiais. Mesmo assim, noções básicas de meteorologia que lhe possibilitem interpretar os fenômenos atmosféricos são sempre bem-vindas. Lamentavelmente esse assunto só é tratado no ensino fundamental e, obviamente, de forma superficial. O potencial do assunto é enorme e vai desde conceitos da física e da química até a classificação biológica proposta por Carolus Linnaeus.


          As nuvens são classificadas semelhantes ao sistema “Lineano” de gênero e espécie para a classificação de organismos vivos sendo os critérios de identificação a altura e a aparência. A maior parte das nuvens se encaixa em um dos dez grupos básicos chamados “gênero”. No final desta postagem, apresentamos uma pequena “coleção” de espécies de nuvens encontradas em nossas viagens.


Que nuvem é essa?



Altocumulus floccus

Cirrus floccus

Cirrus uncinus

Cirrostratus

Cirrostratus 2

Cumulonimbus

Cumulunimbus capillatus

Cumulus humilis

Cumulus mediocris

Cumulus radiatus

Cumulus

Stratocumulus stratiformis opacus

Stratocumulus

Stratocumulus 2

Stratus


combinacao de nuvens


Descubra ...

Descubra ...
The Cloud



I bring fresh showers for the thirsting flowers,
From the seas and the streams;
I bear light shade for the leaves when laid
In their noonday dreams.
From my wings are shaken the dews that waken
The sweet buds every one,
When rocked to rest on their mother's breast,
As she dances about the sun.
I wield the flail of the lashing hail,
And whiten the green plains under,
And then again I dissolve it in rain,
And laugh as I pass in thunder.


I sift the snow on the mountains below,
And their great pines groan aghast;
And all the night 'tis my pillow white,
While I sleep in the arms of the blast.
Sublime on the towers of my skiey bowers,
Lightning, my pilot, sits; In a cavern under is fettered the thunder,
It struggles and howls at fits;
Over earth and ocean, with gentle motion,
This pilot is guiding me,
Lured by the love of the genii that move
In the depths of the purple sea;
Over the rills, and the crags, and the hills,
Over the lakes and the plains,
Wherever he dream, under mountain or stream,
The Spirit he loves remains;
And I all the while bask in Heaven's blue smile,
Whilst he is dissolving in rains.
The sanguine Sunrise, with his meteor eyes,
And his burning plumes outspread,
Leaps on the back of my sailing rack,
When the morning star shines dead;
As on the jag of a mountain crag,
Which an earthquake rocks and swings,
An eagle alit one moment may sit
In the light of its golden wings.


And when Sunset may breathe, from the lit sea beneath,
Its ardors of rest and of love,
And the crimson pall of eve may fall
From the depth of Heaven above,
With wings folded I rest, on mine aery nest,
As still as a brooding dove.


That orbed maiden with white fire laden,
Whom mortals call the Moon,
Glides glimmering o'er my fleece-like floor,
By the midnight breezes strewn;
And wherever the beat of her unseen feet,
Which only the angels hear,
May have broken the woof of my tent's thin roof,
The stars peep behind her and peer;
And I laugh to see them whirl and flee,
Like a swarm of golden bees,
When I widen the rent in my wind-built tent,
Till the calm rivers, lakes, and seas,
Like strips of the sky fallen through me on high,
Are each paved with the moon and these.


I bind the Sun's throne with a burning zone,
And the Moon's with a girdle of pearl;
The volcanoes are dim, and the stars reel and swim
When the whirlwinds my banner unfurl.
From cape to cape, with a bridge-like shape,
Over a torrent sea,
Sunbeam-proof, I hang like a roof,--
The mountains its columns be.


The triumphal arch through which I march
With hurricane, fire, and snow,
When the Powers of the air are chained to my chair,
Is the million-colored bow;
The sphere-fire above its soft colors wove,
While the moist Earth was laughing below.


I am the daughter of Earth and Water,
And the nursling of the Sky;
I pass through the pores of the ocean and shores;
I change, but I cannot die.
For after the rain when with never a stain
The pavilion of Heaven is bare,
And the winds and sunbeams with their convex gleams
Build up the blue dome of air,
I silently laugh at my own cenotaph,
And out of the caverns of rain,
Like a child from the womb, like a ghost from the tomb,
I arise and unbuild it again.

Percy Bysshe Shelley

Sempre Alerta e Bons Ventos!

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Carta aos professores

           Caro professor, um dos objetivos do “Ciência a bordo” é produzir material de apoio aos professores e alunos, essa é nossa proposta. Porém ainda estamos no começo do projeto e buscando recursos e apoio para a realização desse pequeno e singelo sonho.
            Contudo, pensamos que mais importante do que o material didático ou novas propostas pedagógicas está o PROFESSOR. Por que é diante do professor que se encontra uma geração totalmente nova, imprevisível, com uma visão de mundo totalmente diferente da do docente. É quase o encontro entre passado e futuro, pois os alunos continuarão depois de nós. Entretanto, não sabemos para onde eles vão e, assim como a evolução biológica não tem uma direção pré-determinada se existe um plano do destino, ele é hermético para nós.
           O grande desafio de um professor não é somente passar o conteúdo aos alunos, mas principalmente viabilizar o desenvolvimento de todas as potencialidades que estão fervilhando em suas mentes. Lembro de um aluno de uma escola de periferia que segundo a diretora da escola, era um “caso perdido”, na verdade, segundo ela, não somente ele, mas a turma toda era desinteressada. Ouvi os relatos e encarei o desafio. E, diferente do que a diretora tinha dito, a turma se mostrou interessada e participativa, a cada encontro a conversa em sala de aula era animadora. Percebi que os alunos tinham sérios problemas familiares e que o que eu precisava era ministrar aulas estimulantes de maneira que eles vivenciassem outra realidade, meu desafio era mostrar um mundo diferente para eles. E foi justamente do aluno “caso perdido” que tenho uma das melhores perguntas que escutei em sala de aula até hoje: “Professor, o sol tem movimento de rotação?” Fiquei pasmo e muito assombrado, pois além de participar da aula ele fez uma relação própria com a matéria. Costuma-se falar do sol como o astro principal do nosso sistema solar e os planetas descrevendo suas órbitas ao seu redor, pelo menos, na maior parte dos livros didáticos da época era isso que constava e nada mais. Mesmo assim, ele foi além, refletiu e questionou. Não tenho idéia como ele está hoje, mas fiz o possível para valorizar sua pergunta na época e deixá-lo ciente de que ele estava no caminho certo, refletir e questionar... E se eu tivesse escutado os conselhos da diretora?
         Não temos dúvidas que a influência de um professor pode ser determinante na vida de um indivíduo. Já pensou que alguns deles ficam mais tempo com o professor do que com os próprios pais? Já pensou que talvez o professor tenha mais diálogo com o aluno do que este com os pais? Que o professor possa ser o único adulto que dê alguma atenção a ele?
         Que tarefa difícil e desafiadora esta diante de cada professor todos os dias durante todo ano letivo. Somos professore por profissão e, principalmente, por escolha sabemos das dificuldades que essa missão nos impõe a cada dia, na verdade, é mais do que uma profissão, é uma vocação. Qual o maior patrimônio de nossa história que não está nas gerações depois da nossa?
        Terminamos essa postagem com um vídeo recordando um episódio vivido na ECO 92, no Rio de Janeiro, quando uma menina de 15 anos falou ao mundo. Que seja motivo de reflexão e questionamento para nós “adultos”.

Sempre Alerta e Bons ventos!
 

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Hoje encontramos uma mensagem numa garrafa!

As margens do Guaíba...

     

            Vários são os relatos de mensagens lançadas ao mar dentro de garrafas, eles podem ser verdadeiros ou ficção, tanto faz, mas o fato é que eles existem. O nosso é real e assustador. Não se trata da mensagem de um náufrago, sozinho em uma ilha distante cercado por água, mas de um bairro, uma cidade, um país que utiliza todo seu recurso hídrico de maneira imprudente e criminosa, e por isso não se trata de uma garrafa, mas de milhares delas somadas a todo esgoto e todo tipo de dejeto que possamos imaginar. O problema é que essas “mensagens” nas garrafas lançadas ao mar não tem data para serem encontrada e, mesmo se forem, elas serão encontradas por pessoas que não sabem ou não querem ler a mensagem, ou porque não foram alfabetizadas ou por vergonha de não saberem o que fazer com ela, assim elas escondem ou fingem que não as vêem. Assim, continuaremos de costas para o rio, lago, lagoa, mar e toda forma de vida que existe lá. E, de quebra, permitimos o uso e a construção de edificações destinadas à atividade residencial e comercial em todas as orlas e aproveitamos para esconder todo nosso lixo e ainda chamamos isso de “progresso”. Até quando continuaremos náufragos distantes dos verdadeiros acontecimentos do mundo? Quando vamos ler a mensagem da garrafa?



“No final, conservamos apenas o que amamos, amaremos apenas o que compreendemos, compreenderemos apenas o que nos houver sido ensinado”




...mas ainda tem vida no Guaíba!

Nada de prédios...



Que fique assim...