Como nasceu o "Ciência a bordo"

Nos tornamos biólogos pela curiosidade e pelo fascínio sobre os fenômenos naturais. Estudamos e ensinamos conteúdos que muitas pessoas, inclusive nós, nunca tiveram ou teriam a oportunidade de testemunhar. E, assim como alguém com espírito aventureiro não fica satisfeito de apenas conhecer e contar a vida de um grande explorador, nós também não nos satisfizemos em apenas repetir o que está nos livros. Em uma tentativa de complementar aquilo que ensinamos e aprendemos nasceu o projeto "Ciência a bordo", fruto de duas paixões: a ciência e a vela.

We have become biologists by curiosity and fascination about natural phenomena. We study and teach content that many people, including us, have never had or would have the opportunity to testify. And the same way someone with an adventurous spirit would not be satisfied only knowing and telling the life of a great explorer, we do not have satisfied ouselves in just repeat what is in books. In an attempt to complement what we teach and learn in our scientific life the project "Ciência a bordo" (Science on board) was born, as a result of two passions: science and sailing.

sábado, 29 de outubro de 2011

Projeto: “Remando Contra a Maré”: Resgatando os Clubes de Ciências



O Projeto “Ciência a bordo” está completando oito meses de existência, período esse em que vivenciamos muitas experiências, tanto do ponto de vista filosófico como prático. Foram vivências que acabaram por moldar e definir os objetivos e metas que queremos alcançar com o projeto. Ao longo desses meses pudemos interagir não só com as pessoas do meio náutico, mas também com professores e alunos de diversas instituições de ensino.
O que percebemos é que nossa proposta chama mais atenção pelo seu método diferenciado do que o resultado final propriamente dito. Tal fato serviu para refletirmos sobre os rumos que devemos tomar e chegamos a algumas questões centrais: (1) por que não compartilhar, pelo menos parte dessa experiência na prática, e ir além da contribuição apenas com relatos escritos? (2) qual o modelo ideal para ser aplicado no nosso contexto? (3) E o velho modelo de “clube de ciências” na escola? (4) O interesse pelos fenômenos da natureza foi perdido? (5) Qual o efeito do desinteresse pelas ciências naturais sobre as crianças e adolescentes? (6) Como a desvinculação com a ciência inviabiliza o trabalho de questões relacionadas ao meio ambiente? (7) De que formas atividades ao ar livre podem tornar o aprendizado de ciências mais interessante?
Pensando nessas questões, resolvemos arriscar um palpite. Quando vamos atrás de material para o “Ciência a bordo” vivemos momentos de descobertas que nos deram muito prazer (Ver vídeo Araça II). Assim, achamos que através de atividades ao ar livre (canoagem, vela, caminhada, ciclismo etc.) poderíamos fazer uma interpretação dos fenômenos naturais, que aliados a vivência em grupo, poderiam propiciar aos alunos e professores esse prazer pela descoberta. Pensando nisso, nosso objetivo deixou de ser apenas a produção de material de apoio, produzidos exclusivamente por nós. Agora nós queremos viabilizar um meio para que crianças, adolescentes e professores possam produzir, “in loco”, o próprio material, seja pela produção de documentários, vídeos curtos, entrevistas ou até mesmo uma pesquisa de campo própria. Essa autonomia torna os alunos e professores donos de seus próprios projetos, o que lhes permitiriam cobrir seus interesses particulares e encarar seus próprios desafios e curiosidades.
Quem já teve a oportunidade de coletar uma pegada de um animal silvestre na natureza por meio de molde de gesso? E o que pode ser feito pelo professor com um material desse tipo produzido em áreas próximas a escola de atuação? Uma maneira que pensamos de inserir esse tipo de atividade na rotina escolar é resgatando os tradicionais “clubes de ciências” com o desenvolvimento de núcleos de estudos com atividades teórico/práticas. Os clubes permitiriam a troca de idéias entre alunos, professores e a comunidade. Assim, o nosso objetivo continua sendo a produção de material didático de apoio, mas queremos por meio da formação de “clubes de ciências”, incorporar as técnicas de produção de vídeos/documentários para que alunos e professores possam também ser agentes ativos na produção de material de divulgação científica.
Queremos dessa forma ampliar a sala de aula de acordo com a demanda de interesse e necessidades dos próprios clubes de ciências. Promovendo encontros entre os clubes, palestras, cursos e exposições sobre as atividades desenvolvidas por cada clube. Sabemos que esse projeto só terá resultados se contarmos com o apoio dos professores. Eles serão nossos maiores parceiros. Então resolvemos criar um “projeto Piloto” que será executado em uma escola pública com um número reduzido de alunos. Para nossa felicidade nosso primeiro contato com a escola foi sensacional e muito emocionante... Mas isso já é outra história, e será contada mais adiante.
        Por último, queremos falar aos nossos parceiros e futuros apoiadores. Nosso projeto é fruto não de uma idéia, mas de um sentimento verdadeiro de querer construir algo que seja bom. Queremos levar esse sonho a outras pessoas por meio de nossas vivências, conquistas e acima de tudo pela troca de experiências. Assim, nossos parceiros devem compartilhar dos mesmos sonhos e sentimentos e, isso não pode ser diferente. Nosso trabalho é voluntário e não tem fins lucrativos e novas parcerias e novas idéias são sempre bem-vindas.

“Por que eu sempre nado contra a corrente?
Porque só assim se chega às nascentes”

José Lutzenberger
   

Sempre Alerta e Bons Ventos!

Molde de gesso: qual a pegada?
Pegada de Quexada
Pegada recente de onça pintada
Molde de pegada de onça pintada
Fator Uau!
Saindo de reconhecimento
Sala de aula ao ar livre a bordo do Darwin, o duck
 
 

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Onça parda que apareceu na Zona Norte de São Paulo fugiu de queimada

Ficamos surpresos com essa reportagem e resolvemos compartilhar aqui...



SÃO PAULO - A onça parda que apareceu no quintal de uma casa no Jardim Rincão, na Zona Norte de São Paulo, saiu do Parque da Cantareira para fugir de uma queimada. Na semana passada, uma parte da mata pegou fogo. O animal, um macho de apenas um ano, 25 quilos e 1,60 metro de comprimento (medido da ponta da cauda ao nariz), foi resgatado pelos bombeiros e pela Polícia Ambiental na madrugada desta quinta-feira, por volta de 3h, depois de ser acuado pelo cachorro da família. Esta é a segunda onça que aparece em área habitada em pouco mais de duas semanas na Grande São Paulo. A primeira foi resgatada em cima de uma árvore em Franco da Rocha, município vizinho à capital.
No Jardim Rincão, os moradores dormiam quando ouviram o cachorro latindo. Acordaram a viram a onça no quintal. O cachorro ficou latindo por cerca de uma hora e manteve a onça acuada em um canto. Na frente da casa há um muro e um portão, que estava fechado.
- Meu filho ligou falando que tinha uma onça aqui no quintal. Eu não acreditei. Eu subi na laje, foi quando eu me deparei com uma onça no meu quintal - contou.
- Liguei para os bombeiros, cinco, seis vezes, o bombeiro demorou para chegar.
Laçada pelos bombeiros, a onça deu trabalho para entrar na gaiola, mas não chegou a ser sedada. Como não tinha ferimentos, a Polícia Ambiental a manteve até a manhã desta quinta-feira. Às 8h, a onça foi entregue ao Zoológico de Guarulhos, onde recebeu os primeiros cuidados.
- Anestesiei e cuidei dele - diz Fernanda Magalhães, veterinária do Zoo.
Segundo Fernanda, a onça está com carrapatos e pulgas - estas últimas provavelmente adquirida pela presença de animais domésticos. Foram coletados sangue e urina para exames laboratoriais e foi instalado um microchip para identificação do bicho. Até meio dia, a onça ainda estava dormindo devido à sedação.
- Vamos servir frango vivo. Um por dia, para manter o instinto da caça - explica Fernanda.
A veterinária diz que, na natureza, o animal não encontra caça todo dia. Portanto, um frango de três quilos, diariamente, é suficiente para alimentá-lo. Depois que observar o comportamento da onça, para ver se ela se alimenta e se não tem outros problemas, os profissionais do Zoo vão discutir com autoridades onde soltá-la. Fernanda afirmou que o tempo de cativeiro tem de ser pequeno, para que o animal não perca o instinto, que lhe garante vida em liberdade. A onça encontrada em Franco da Rocha também foi cuidada pelo Zoo de Guarulhos e libertada do Parque Estadual do Juqueri.
A queimada precipitou a saída do animal da mata, mas a pressão urbana torna cada vez mais difícil a vida dos animais silvestres. Mauro Sérgio Norberto, da Polícia Ambiental, explica que a onça parda, também conhecida como sussuarana, é endêmica da Grande São Paulo. Por incrível que pareça, o animal consegue sobreviver nos fragmentos de floresta que continuam em pé, como a Serra da Cantareira, o Parque Anhanguera, o Parque do Jaraguá e o núcleo Krukutu, na região de Parelheiros, na área da Serra do Mar, onde também há aldeia de índios - uma das duas únicas da cidade.
Norberto explica que as onças vivem sozinhas. No caso das duas onças resgatadas, elas estão justamente na fase de "adolescência", quando buscam espaço próprio. As onças vivem sozinhas, não em bandos, e só se encontram para acasalar. Cada indivíduo da espécie precisa, para viver apertado, de um espaço de 10 km/2. E o espaço está cada vez menor para os bichos.
- Quando o filhote cresce ele não pode permanecer no território dos pais, que já dominam aquela área. Por isso, têm de achar um novo espaço - diz o policial.
Animal de hábitos noturnos, a onça achada em Franco da Rocha já havia sido vista por moradores. A Polícia Ambiental orienta que os bombeiros ou a Polícia Ambiental sejam acionados pelo telefone 190. Na área urbana, os bichos ficam acuados. A primeira reação deles é fugir, mas não está descartada a possibilidade de morder alguém

Por Cleide Carvalho (cleide.carvalho@sp.oglobo.com.br)

Agência O Globo

Para recordar...