Como nasceu o "Ciência a bordo"

Nos tornamos biólogos pela curiosidade e pelo fascínio sobre os fenômenos naturais. Estudamos e ensinamos conteúdos que muitas pessoas, inclusive nós, nunca tiveram ou teriam a oportunidade de testemunhar. E, assim como alguém com espírito aventureiro não fica satisfeito de apenas conhecer e contar a vida de um grande explorador, nós também não nos satisfizemos em apenas repetir o que está nos livros. Em uma tentativa de complementar aquilo que ensinamos e aprendemos nasceu o projeto "Ciência a bordo", fruto de duas paixões: a ciência e a vela.

We have become biologists by curiosity and fascination about natural phenomena. We study and teach content that many people, including us, have never had or would have the opportunity to testify. And the same way someone with an adventurous spirit would not be satisfied only knowing and telling the life of a great explorer, we do not have satisfied ouselves in just repeat what is in books. In an attempt to complement what we teach and learn in our scientific life the project "Ciência a bordo" (Science on board) was born, as a result of two passions: science and sailing.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Ilha das Pedras Brancas: navegando em águas perigosas



Sim, o título dessa postagem é apelativo, mas apelativa é também a situação em que se encontra um dos patrimônios culturais do Rio Grande do Sul. Antes de irmos ao cerne da nossa postagem, vamos contextualizar nossa situação. Apesar do barco ser um meio de transporte super eficiente, ele nem sempre é o ideal para fazer explorações mais detalhadas das margens de rios e lagos. Isso porque nas margens a água é geralmente rasa e, por isso, de difícil acesso de barco, uma vez que todos os barcos têm um calado mínimo. Calado em uma embarcação é a parte que fica submersa e que provê maior ou menor estabilidade ao barco. Assim, já faz um tempo que andamos investindo nas travessias de duck (caiaque inflável), que apesar de lento e demandar maior esforço físico, nos permite chegar em praticamente qualquer condição de profundidade de água.



Nosso Duck, batizado de “Darwin”, já nos levou a alguns lugares interessantes. E um desses lugares trata-se da Ilha das Pedras Brancas ou, como é mais conhecida: Ilha do Presídio, finalmente o assunto desta postagem. Essa Ilha está localizada no Guaíba (W051º17,260' S30º 07,290') a 15 minutos de barco do centro de Porto Alegre, ou mais próxima ainda da cidade de Guaíba. O lugar visto de longe é charmoso, mas extremamente sombrio e, quando somado aos acontecimentos do passado, é fácil associar a ilha com histórias de fantasma e assombrações. Porém, a nossa expedição ao local nos deixou com uma impressão bem diferente do que foi-nos relatado. No percurso que durou uma hora e quinze minutos de remada, encontramos um pai e filho dando voltas de bote no rio, uma baleeira com vários escoteiros do mar em plena navegada e um trio de remadores em seus caiaques com um sorriso nos rostos e histórias para contar. 
 
Quando chegamos, pensamos ter feito uma travessia pouco usual, ficamos cogitando que poderíamos ter sido o primeiro casal a chegar na Ilha em um caiaque inflável. Ledo engano, pois para a nossa agradável surpresa, quando chegamos ao trapiche construído na Ilha vimos outro Duck atracado ali. Logo em seguida, fomos recebidos pelos donos do Duck, um casal de remadores com muita experiência de navegação. Além de nos dar as boas-vindas, eles nos mostraram toda a ruína do presídio e nos contaram a história de lá, com informações detalhadas da arquitetura do presídio e as funcionalidades de cada cômodo. Além deles, chegaram à Ilha um grupo de escoteiros preparando o almoço em meio às pedras e às ruínas. Também encontramos alguns alunos da escola de vela que estavam visitando o local pela primeira vez. 
 


         Segundo informações do casal, complementadas depois por relatos na internet e em livros, a Ilha foi palco de um repertório de episódios ao longo da história como a revolução farroupilha, onde foi posto de observação dos imperialistas. Mais tarde a Ilha foi utilizada como depósito de munição e ficou conhecida como Ilha da Pólvora. Em 1956 foi construído um presídio para presos políticos sob o regime militar. 

        Além de servir de encarceramento a presos políticos durante a ditadura militar, o presídio ficou famoso pelos casos de tortura e mortes não esclarecidas de presos políticos e comuns. E não foi apenas uma vez que ouvimos designar-se a Ilha como “a casa da nossa presidenta”. Apesar dessa informação estar sendo disseminada, não achamos qualquer evidência de que a presidente Dilma Rousseff tenha sido presa no local. O que encontramos é que seu ex-marido Carlos Araújo é quem de fato ficou preso lá. Caso que ele conta em um livro sobre a Ilha.

 Depois de almoçarmos e realizarmos uma pequena expedição de reconhecimento na ilha, acompanhados pelos nossos novos amigos de remadas, continuamos até às 15h tirando fotos e registrando nossas impressões sobre o local. Por fim, ao nos despedirmos da ilha nos deparamos com uma família de pescadores que passariam o resto da tarde no local. Diferente do que pensávamos a Ilha era bem agradável,  mas está entregue ao descaso e às intempéries.
         Não pretendemos fazer aqui um levantamento histórico sobre a Ilha do Presídio, pois além de não termos coletado informações confiáveis sobre ela, em um relato pequeno como este tornaria o levantamento muito superficial. Então o que nós gostaríamos de salientar aqui é que ficamos impressionados com o que há na Ilha em termos da memória do país. Entretanto, como já dissemos, apesar do seu valor histórico inquestionável, as construções estão à mercê de vândalos e sobre total descaso da administração pública, e, é praticamente desconhecida para a maioria dos gaúchos. A fama que procede dos relatos de navegadores faz jus à sua aura de mistério, cujo abandono talvez torne as construções, assim como a memória do local, irreconhecíveis com o passar do tempo.

          O que mais temos encontrado na internet e em comentários sobre qual seria o melhor aproveitamento da Ilha foram propostas de construções de bares ou restaurantes para que ela se torne um local de lazer/turismo. Entretanto, achamos que pelo seu valor histórico, principalmente de uma fase do Brasil que deve ser relembrada sempre, consideramos imprescindível a presença ao menos de placas informativas contando a história do local, com fotos antigas e plantas originais das construções. Assim imaginamos um belo museu, uma escola de velas, um teatro na ilha, o “clube de ciências” e tudo mais que poderia ser feito. Que feliz seria a família de zeladores que cuidariam da ilha em seu novo emprego. A ilha deixaria de ser uma ilha fantasma e assombrada pelo descaso das autoridades e da população...

 Sempre alerta e bons ventos!








Descanso na bóia à deriva
Respiro
Explorando as margens




Terra à vista!

Casal anfitrião
Preparando o almoço!










Novos amigos de caiaque

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Espécie da semana

        Em homenagem ao símbolo do Ciência a bordo, decidimos compartilhar esse video para ilustrar nossa espécie da semana. Assim como para a coruja do vídeo, a ternura também se torna essencial para o bom exercício da sabedoria.



Sempre alerta e bons ventos!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

"Ciência a bordo" está na revista Velejar e Meio Ambiente deste mês...

           Veja a reportagem na integra na revista  Velejar e Meio Ambiente, # 52    Ano 8    

                  Queremos agradecer a toda redação da revista Velejar e Meio Ambiente por ter nos possibilitado compartilhar nossos projetos e sonhos.  



                                                                                                                              

Sempre Alerta e Bons Ventos!