Como nasceu o "Ciência a bordo"

Nos tornamos biólogos pela curiosidade e pelo fascínio sobre os fenômenos naturais. Estudamos e ensinamos conteúdos que muitas pessoas, inclusive nós, nunca tiveram ou teriam a oportunidade de testemunhar. E, assim como alguém com espírito aventureiro não fica satisfeito de apenas conhecer e contar a vida de um grande explorador, nós também não nos satisfizemos em apenas repetir o que está nos livros. Em uma tentativa de complementar aquilo que ensinamos e aprendemos nasceu o projeto "Ciência a bordo", fruto de duas paixões: a ciência e a vela.

We have become biologists by curiosity and fascination about natural phenomena. We study and teach content that many people, including us, have never had or would have the opportunity to testify. And the same way someone with an adventurous spirit would not be satisfied only knowing and telling the life of a great explorer, we do not have satisfied ouselves in just repeat what is in books. In an attempt to complement what we teach and learn in our scientific life the project "Ciência a bordo" (Science on board) was born, as a result of two passions: science and sailing.

sábado, 31 de dezembro de 2011

A canção está perdida...

Foto retirada da internet

Todo final de ano somos bombardeados com os mesmos programas de televisão e artistas cantando as mesmas músicas. Por isso, nesse final de ano, resolvemos fazer na nossa última postagem de 2011 um apelo aos antigos costumes...    

Existe um sistema “primitivo” de modelo moral adotado por uma tribo africana que chama muito a atenção. São os Bosquimanos, ou homens dos bosques, que vivem no sul da África. De todas as populações humanas são eles que apresentam a maior variabilidade de DNA mitocondrial, que é um indicativo de que o grupo é um dos mais antigos entre os humanos. Por ser uma população pequena os Bosquimanos estão em vias de extinguir-se e, com eles, seus costumes, hábitos e todo o conhecimento que somente eles detém sobre os costumes e locais que eles habitam, que são de uma peculiaridade ímpar. Os locais em questão se estendem pelo deserto do Kalahari, Namíbia, Botsuana e na Angola, onde os Bosquimanos são encontrados em pequenos grupos.

Apesar da cultura reconhecidamente muito avançada e rica dos Bosquimanos a Angola é hoje o País com maior índice de corrupção do mundo e com o menor índice de desenvolvimento humano.  Como o IDH é um índice que utiliza dados econômicos e de alfabetização, ele dá a falsa impressão de que os Bosquimanos, que são habitantes locias, são um povo atrasado e primitivo. Na realidade, os Bosquimanos são capazes de retirar todo seu sustento de uma terra onde qualquer pessoa de ambiente urbano morreria em poucos dias, principalmente de sede, e sabem fazer a leitura de rastros. Através da leitura dos rastros, eles são capazes de contar a trajetória de um animal que passou pelo local há dias, por exemplo, ou seja, eles são alfabetizados, além de terem um convívio harmônico com a natureza.

No livro o Gene egoísta, Dawkins propõe um equivalente cultural do gene, os Memes: unidades básicas de memória ou de conhecimento, que se multiplicam conscientemente de cérebro para cérebro. Seguindo a linha de pensamento de Richard Dawkins, então, se não podemos salvar os Bosquimanos, ao menos salvemos suas idéias. Deixamos aqui então um vídeo:     





‘‘Quando uma mulher, de certa tribo da África, sabe que está grávida, segue para a selva com outras mulheres e, juntas, rezam e meditam até que aparece a ‘canção da criança’. Quando nasce a criança, a comunidade se junta e lhe canta a sua canção. Logo, quando a criança começa sua educação, o povo se junta e lhe canta sua canção. Quando se torna adulto, a gente se junta, novamente, e canta. Quando chega o momento do seu casamento a pessoa escuta a sua canção.

Finalmente, quando sua alma está para ir-se deste mundo, a família e amigos aproximam-se e, igual como em seu nascimento, cantam a sua canção para acompanhá-lo na ‘viagem’.

        Nesta tribo da África há outra ocasião nas quais os homens cantam a canção. Se em algum momento da vida a pessoa comete um crime ou um ato social aberrante, o levam até o centro do povoado e a gente da comunidade forma um círculo ao seu redor. Então, lhe cantam a sua canção. A tribo reconhece que a correção para as condutas anti-sociais não é o castigo; é o amor e a lembrança de sua verdadeira identidade.
 
          Quando reconhecemos nossa própria canção já não temos desejos nem necessidade de prejudicar ninguém. Teus amigos conhecem a "tua canção" e a cantam quando a esqueces. Aqueles que te amam não podem ser enganados pelos erros que cometes; às escuras imagens que mostras aos demais. Eles recordam tua beleza quando te sentes feio; tua totalidade quando estás quebrado; tua inocência quando te sentes culpado e teu propósito quando estás confuso.

                                                                                           Tolba Phanem



Feliz ano novo, bons ventos e Sempre Alerta!





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