Como nasceu o "Ciência a bordo"

Nos tornamos biólogos pela curiosidade e pelo fascínio sobre os fenômenos naturais. Estudamos e ensinamos conteúdos que muitas pessoas, inclusive nós, nunca tiveram ou teriam a oportunidade de testemunhar. E, assim como alguém com espírito aventureiro não fica satisfeito de apenas conhecer e contar a vida de um grande explorador, nós também não nos satisfizemos em apenas repetir o que está nos livros. Em uma tentativa de complementar aquilo que ensinamos e aprendemos nasceu o projeto "Ciência a bordo", fruto de duas paixões: a ciência e a vela.

We have become biologists by curiosity and fascination about natural phenomena. We study and teach content that many people, including us, have never had or would have the opportunity to testify. And the same way someone with an adventurous spirit would not be satisfied only knowing and telling the life of a great explorer, we do not have satisfied ouselves in just repeat what is in books. In an attempt to complement what we teach and learn in our scientific life the project "Ciência a bordo" (Science on board) was born, as a result of two passions: science and sailing.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Muito além das chaminés...


Recentemente saiu uma matéria no jornal Zero Hora (um dos principais jornais da região Sul) falando sobre a orla de Porto Alegre, em especial a região do bairro de Ipanema tendo seu limite demarcado por um morro de nome Ponta Grossa. Ficamos impressionados com as fotos da década de 70 quando era possível passar um final de semana com a família tomando um belo banho de rio/lago (essa nomenclatura depende da “religião” de cada um) nas margens do Guaíba. O que importa é que o Guaíba era espetacularmente lindo, suas águas eram limpas e uma vegetação tipicamente de restinga bordejava por quase toda orla da Cidade. 

Ponta Grossa
Por coincidência na mesma semana dessa reportagem no Zero Hora, o“Ciência a bordo” tinha feito sua segunda expedição a bordo do Darwin e adivinhem qual tinha sido nosso destino?  Ponta Grossa! – O local conhecido entre os velejadores como “Tranqüilo”, trata-se de uma bela enseada com o entorno com morros remanescentes de uma Porto Alegre colonial, cuja cobertura vegetal ainda se encontra quase intocada e bem preservada.
Darwin atracado na Ponta Grossa

Deixamos para trás a chaminé do gasômetro e seguimos viagem rumo ao sul, em direção a ponta grossa, nosso destino final. Final uma ova, tínhamos todo percurso de volta com vento na cara e um sol escaldante que nos rendeu um belo bronzeado zebrado. Nas milhas finais se aproximando do nosso objetivo foi possível sentir o cheiro característico das matas e ouvir os sons peculiares de aves nativas e cigarras. Para aqueles que vão de veleiro e mantiverem seus olhos atentos vão perceber que os estais (cabos de aço que seguram o mastro) ficarão tomados por fios de teias e minúsculas aranhas...cabe ressaltar aqui que elas são totalmente inofensivas. Essas aranhas chegam à água adotando uma estratégia de dispersão chamada de balonismo, muito comum entre os aracnídeos. Bem que poderiam ser chamados de velejadores, pois essas criaturas utilizam o vento para se deslocarem. Elas lançam longos fios de sedas ao vento e se “jogam” deixando que as correntes as conduzam. Essa parece ser uma excelente estratégia de dispersão, pois elas podem se deslocar por longas distâncias sem muito esforço. Há registros de aranhas que fazem balonismo em altitudes inacreditáveis.
Preparando o almoço

Na chegada a Ponta grossa, preparamos um belo almoço e descansamos nos matacões (boulders) característicos dos morros da zona sul, com direito a suco, sobremesa e uma paisagens inacreditável. Até lá foram cerca de 13 milhas. No percurso redescobrimos um Guaíba ainda especularmente lindo, porém poluído; visivelmente esquecido por muitos e negligenciado por outros. Visitamos também as polêmicas “Ilhas Fo-Fo”, um arquipélago formado por sedimentos retirados pela dragagem das obras de melhoria do saneamento básico de Porto Alegre, promessa antiga de um Guaíba despoluído (Assim seja!). E, registramos seu primeiro habitante.
Uma das Ilhas Fo-Fo

Não podemos deixar de mencionar os inúmeros obstáculos que encontramos no nosso percurso e que oferecem riscos à navegação desportiva: incontáveis taquaras encalhadas, estacas, poitas em locais nada sinalizados, bóias antigas, mangotes de todos os tipos... bom, a lista e enorme. Mas apesar dos obstáculos e decepções, valeu cada remada, cada milha percorrida. 

Único habitante das Ilhas Fo-Fo
Ah! Já íamos esquecendo, em nossa chegada na entrada do “Tranqüilo” avistamos um veleiro com todos os panos ao vento e, em pleno rumo de colisão. Os tripulantes estavam visivelmente curiosos com a nossa chegada e percebemos que queriam a qualquer custo ter certeza do que estavam vendo. Ao se aproximarem reconhecemos o barco, tratava-se do veleiro Minuano, um belo barco azul e branco, inconfundível. No seu comando, uma figura conhecida nossa, nosso amigo Luiz, ou como nós o chamamos: o Minuano. Tanto o comandante, como a tripulação não estavam acreditando que tínhamos remado até lá... Ao nos aproximarmos suficiente, já nos lançaram a seguinte pergunta: Que horas vocês saíram????? Respondemos rapidamente, e eles puderam retomar sua rota e seguiram o seu destino. Meio incrédulos achamos.    



Sempre Alerta e Bons Ventos!   

Um comentário:

  1. vejo agora q valeu a pena o bronzeado! bjs!
    karina ermã

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