Como nasceu o "Ciência a bordo"

Nos tornamos biólogos pela curiosidade e pelo fascínio sobre os fenômenos naturais. Estudamos e ensinamos conteúdos que muitas pessoas, inclusive nós, nunca tiveram ou teriam a oportunidade de testemunhar. E, assim como alguém com espírito aventureiro não fica satisfeito de apenas conhecer e contar a vida de um grande explorador, nós também não nos satisfizemos em apenas repetir o que está nos livros. Em uma tentativa de complementar aquilo que ensinamos e aprendemos nasceu o projeto "Ciência a bordo", fruto de duas paixões: a ciência e a vela.

We have become biologists by curiosity and fascination about natural phenomena. We study and teach content that many people, including us, have never had or would have the opportunity to testify. And the same way someone with an adventurous spirit would not be satisfied only knowing and telling the life of a great explorer, we do not have satisfied ouselves in just repeat what is in books. In an attempt to complement what we teach and learn in our scientific life the project "Ciência a bordo" (Science on board) was born, as a result of two passions: science and sailing.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Expedição Chico - Faxina Parte II – Uma lontra enfurecida e o Cabo Horn do Guaíba




Local de acampamento no Araçá



Dia 4 de setembro de 2012 – Sai do Iate Clube Guaíba às 9h da manhã com destino ao Arroio Araçá, sem escalas. Foram seis horas de navegada com tempo bom, ventos fracos e águas tranqüilas até o local escolhido de acampamento. Na chegada ao saco do Araçá avistei a meu bombordo, uma embarcação de passeio também chegando ao local. Logo percebi que se tratava do veleiro de nome Acalanto e chamei-o pelo rádio no canal 16. – Atento veleiro Acalanto, na escuta? Sioux chamando!!! Fui respondido pelos amigos Eurico e Jair (Capitão do Acalanto). Como eles iriam pernoitar no Araçá combinamos a chegada e um local de fundeio (deles né! Eu ficaria acampado nas areias brancas – um belo local para pernoitar).

Visita!

Abordei o Acalanto pela popa e deixei o meu caiaque preso por um cabo e alinhado com o vento. Desembarquei (...) um belo almoço regado a muitas histórias náuticas dos meus anfitriões. As 18h voltei ao meu pequeno caiaque e remei até a ponta do mato alto, onde estabeleci meu acampamento. Meia hora depois, jantei (um lanche leve) e dormi. Foi uma noite bem agitada, primeiro pelo cansaço do primeiro dia de remada e, segundo, pelo agito da rica fauna local que durante a noite toda perambulou pelo acampamento fazendo todo tipo de ruídos imagináveis.

Os amigos Eurico e Jair  (anfitriões)  
Dia 5 de setembro, depois do café da manhã, resolvi fazer uma pequena caminhada matinal de reconhecimento do local. Na volta de minha barraca encontrei todo tipo de vestígio da fauna silvestre que um naturalista adoraria ver. Registrei tudo! (Veja as fotos). Na parte da tarde tirei fotos da fauna e flora local e  registrei dados e alguns pontos de interesses no GPS (futuras empreitadas). No final da tarde realizei uma pequena expedição com o caiaque pela orla do saco do Araçá.



O veleiro Acalanto
Durante a pequena travessia no final da tarde, ao me aproximar de uma formação de macrófitas, escutei uma vocalização típica de lontras filhotes, e neste momento, um adulto percebeu minha invasão no seu território e ficou obviamente irritado. Quando insisti em permanecer ali e me aproximar mais para fazer filmagens fui surpreendido por uma lontra que investiu contra o caiaque e quase me derrubou da minha pequena embarcação. Afastei-me, e tudo voltou ao normal na “casa” da família lontra. 

As lontras são animais, em geral, de hábitos noturnos e de comportamento bastante arisco e atualmente está incluído na lista de animais ameaçados de extinção.  Isso se deve não só, ao desmatamento das margens dos rios, lagos e lagoas da região, mas também pela contaminação das águas pelas lavouras e indústrias no entorno do Guaíba.


Hum...como estará ao meio-dia?
Dia 6 de setembro, diante de uma possível mudança de tempo resolvi abortar a missão de continuar a remada até a praia da Faxina e levantei acampamento. Saí do Araçá as 9h30 e ao meio dia já estava na Ponta Grossa – zona sul de Porto Alegre. A Ponta Grossa é chamada por muitos velejadores de o “Cabo Horn” do Guaíba. Obviamente, isso é um exagero e nunca nos explicaram muito o porquê desse “status”  mas em outras ocasiões foi lá que tivemos alguns contra-tempos náuticos como: motor falhou, retranca quebrou, vela soltou  e alguns outros “ous”. Mas antes de continuar o relato da viagem de retorno, peço licença para voltar as 9h30 da manha desse mesmo dia, cujas decisões definiram o destino desse humilde remador. Pois bem, às 9h30, pouco antes de deixar o Araçá, verifiquei que o vento atingia 10Km/h, dentro do saco do Araçá, e percebi que o tempo já tinha “virado”!

    Mas em minha franca negligência, ignorei os sinais e continuei meu itinerário. Até esse momento estava “acostumado” a remar contra as ondas e o vento e isso é bem confortável, pois você vê as ondas e reage de acordo com a situação. Porém, na altura da Ponta Grossa, as ondas me pegavam de través, ou seja, de lado. Meu caiaque era continuamente balançado no sentido de sua menor largura. Para piorar minha situação, em minha última medida de velocidade do vento, verificara que o vento já atingia 50km/h, fato que tornou minha primeira capotada real (...) Logo descobri que as ondas do Guaíba arrastam tudo que flutua, e não demorou para que meu caiaque estivesse a mais de 20 metros de mim, logo que eu caí, e em menos de três seqüencias de ondas. A sorte foi que eu tinha fixado o cabo de resgate do colete flutuador ao caiaque, o que me permitiu ir de encontro ao mesmo.

A maioria dos acidentes de trânsito resulta de um descuido, mas no meu caso, foi a negligência a fórmula bem visível para o meu “desastre”. Minha capotagem aconteceu as 12h 15’ é só as 17h consegui chegar a terra firme... Mas essa “história” merece uma postagem. História essa, sobre a qual ainda estou refletindo.

Percurso total (ponto 50 - início/fim da expedição) 
Detalhe do local explorado (ponto 26 almoço no Acalanto)
Detalhe do local de acampamento (ponto 29)

Visitantes noturnos no acampamento


mais ...

Rastro de capivara...
Parece rastro de felino 


Identifiquei pelo menos cinco espécies de mamíferos
 nos arredores do meu acampamento em uma noite  


 Aramides ypecaha - saracuruçu (Biol. André de Mendonça Lima det.) 




Café da manhã 




Café está na "mesa"
"Estacão meteorológica" 

Bom dia!
Eurico e Jair,  passeando pelo Araçá  
Pronto !
Visão do acampamento...  

...por outro ângulo   



segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Expedição Chico-Faxina - Parte II


A expedição foi batizada com nome Chico-Faxina porque no roteiro estão  contempladas como principais paradas para exploração a Ilha Francisco Manuel (ilha Chico - Etapa concluída)  e a praia da Faxina, esta última, localizada na margem direita do Rio Guaíba.Todo material produzido será disponibilizado no blog na forma de textos, fotos e um pequeno registro em filme com os principais acontecimentos da expedição.

Dentro dos objetivos da expedição estão desde a busca por formigas cultivadoras de fungo da tribo Attini, até a procura de fulguritos - conhecidos popularmente como “fósseis” de raios - em dunas. Acompanhe o nosso trajeto praticamente em tempo real clicando no logo do Spot.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

I Feira Ambiental do Parque Estadual Itapuã, RS



A Feira aconteceu durante todo o dia 5 de Junho - Dia Mundial do Meio Ambiente - no Centro de Visitantes do Parque Estadual Itapuã em Itapuã/Viamão, RS. O principal objetivo do evento foi, além de comemorar o dia Mundial do Meio Ambiente, integrar as escolas do entorno da Unidade de Conservação, bem como a comunidade e as instituições vizinhas para uma grande mostra de atividades envolvendo educação ambiental. 
   
Estávamos lá!
Estavam na feira: o Secretário do Meio Ambiente do Estado, o Secretário Municipal de Educação, representantes da CORSAN, da EMATER, do Hospital Colônia de Itapuã – HCI, e, diversos convidados participantes. Para nossa felicidade, éramos um deles - O “Ciência a Bordo” estava lá com um estande (!). Fomos convidados diretamente pela Dayse Aparecida dos Santos Rocha - técnica ambiental da secretaria do meio ambiente e idealizadora da feira – que acreditou no Ciência a Bordo e que tem se tornado uma verdadeira parceira nessa nossa navegada.
 
   Conseguimos, durante o dia todo, realizar o que mais gostamos de fazer – propiciar o fator UAU... Ou seja, aquela expressão e o olhar de surpresa e fascínio pela descoberta. Alunos de diversas escolas passaram pelo nosso estande. Trocamos idéais com diversos professores. Entre eles conhecemos o diretor da escola Felisberto da Costa Nunes, Prof. Mauro Rogério Sanhudo de Abreu. O Mauro é idealizador e coordenador de um projeto que visa à união das feiras de ciências entre as escolas da região, e já está na sua 11° edição. Foi a primeira vez que tomamos conhecimento de um projeto como esse e não é necessário dizer como isso nos alegrou... Afinal, um dos nossos objetivos é justamente o regate dos “Clubes de Ciências” nas escolas, mas de forma que esses clubes não fiquem isolados. Quando começamos a conversar com o Prof. Mauro, percebemos que é possível realizarmos esse “sonho”. 
 
Além disso, tivemos a oportunidade de conhecer um pouco do Projeto Macacos Urbanos - trabalho realizado pela UFGRS - e ver a exposição dos melhores trabalhos das feiras de Ciências de algumas escolas públicas de Itapuã, além de termos prestigiado uma peça teatral do grupo Trilho. Muito bom! Voltamos satisfeitos com o resultado. 

      Entretanto, em algumas conversas com colegas professores veio à tona a situação atual do ensino e, principalmente, a desvalorização do educador. Óbvio que isso reflete na sala de aula e é natural o professor ficar desestimulado. Assim, durante nossa participação na feira escutamos de alguns professores, que, apesar de achar nossa proposta interessante não conseguiam ver como atuar em escolas públicas com recursos escassos. Não tiramos a razão desses colegas e suas reivindicações e opiniões são legítimas. No entanto, nossa proposta visa a realização de pequenos projetos com o mínimo de recursos, uma vez que estamos propondo tanto para professores quanto para alunos, da forma mais simples e acessível possível. Neste contexto, vamos relatar aqui uma pequena história de uma noite passada no Parque Estadual de Itapuã.  
 Chegamos no Parque de Itapuã, um dia antes da Feira, na verdade no final da tarde do dia 4. No início da noite fomos informados que poderíamos dispor do auditório para uma pequena apresentação no dia do evento, bastava apenas colocar os nomes e o assunto a ser abordado. Perfeito! Teríamos um monte de professores e alunos como platéia e a possibilidade de expor nossa proposta. Ficamos até tarde da noite preparando fotos, relatos para nossa pequena palestra etc. Queríamos nos apresentar como parceiros... Infelizmente, a palestra não aconteceu. Digo infelizmente não por não termos apresentado nosso projeto, mas sim, porque durante a noite fazendo a apresentação, preparamos um pequeno vídeo, como exemplo do que poderia ser tema de uma aula de ciências ou projeto de feira ciências, utilizando coisas simples.  


Luz, câmera, ação!




Nosso vídeo é um pequeno registro do que encontramos de vida em um pedaço de tronco encontrado no chão dos arredores do alojamento do Parque Estadual de Itapuã. Ele não nasceu com a pretensão de ser um vídeo estilo BBC ou recordista de acessos no YOU TUBE, muito pelo contrário, esse vídeo foi produzido um dia (madrugada!) antes de uma palestra, com um pequeno tronco e uma filmadora minúscula de 2 megapixels - tem celulares com muito mais recursos do que nosso pequeno olho mágico digital. 
Edição com lareira e chimarrão
Mas tem algo que transpassa o vídeo; a idéia de que esse tipo de atividade possa ser produzida em qualquer sala de aula e em qualquer escola. O que é preciso acima de tudo é apenas um olhar atento ao pátio da escola ou qualquer logradouro nas redondezas da escola. Celulares, máquinas fotográficas, computadores sem muito recursos são suficientes para contar uma história exploratória com qualquer tema de sala de aula. A diferença está em querer fazer! 
 
Deixamos aqui então, uma pequena amostra do que vimos por lá!

video

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Expedição Chico-Faxina (Parte I)



O que encontramos por lá!

Ao longo desse um ano de projeto, planejando e executando os planos, conhecemos muitas pessoas especiais. Essas pessoas sempre nos injetaram aquela dose de ânimo necessária a qualquer empreitada. Neste momento, planejamos e executamos parte da expedição Chico-Faxina. Digo planejando ainda, porque não realizamos o percurso todo. Nesse planejamento, a gente se preocupou desde o trajeto que fosse mais interessante até a quantidade de comida a ser levada. Com o trajeto definido, podemos identificar quais os potenciais exploratórios de cada ponto, seja na parte biológica, física, social ou histórica. Assim, quando decidimos que a Ilha Francisco Manoel seria um dos pontos de exploração, fomos pesquisar sobre o local.
Planejamento
Como escrito na postagem anterior, descobrimos que na Ilha existe um sítio arqueológico Guarani, cujo material coletado está depositado atualmente no Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo (Programa de Arqueologia Urbana). Ficamos super entusiasmados com a idéia de que iríamos visitar uma Ilha onde - no período pré-colonial – era habitada por tribos indígenas. A partir daí, ficamos curiosos para saber o que tinha sido encontrado nas coletas e a que conclusões os arqueólogos tinham chegado sobre os costumes dos antigos habitantes de nossa pré-historia.
Entramos, então, em contato com o Museu e fomos até lá fazer uma visita.
Arqueólogos Fernanda e Marcus
Apesar de ser algo óbvio, sempre nos esquecemos que por trás das instituições, existem pessoas. E foi para nossa agradável surpresa que ao chegar no museu, conhecemos dois arqueólogos que não só nos deram as informações que queríamos sobre os registros da Ilha Chico Manoel, como também nos permitiu conhecer suas personalidades e interesses na arqueologia e na vida acadêmica.
Machadinho
Mas voltando para as escavações realizadas na Ilha Chico Manoel; as pesquisas arqueológicas encontram uma fogueira e grandes quantidades de material cerâmico e lítico. Tais registros são provenientes de uma aldeia pré-colonial Guarani, datada com tendo mais de 600 anos pelo método de C14. Além desse material também foram encontrados ossos dos seguintes animais;

Felicidae (gato-do-mato)
Tapirus terrestris (anta)
Tayassu pecari (queixada)
Blastocerus dichotomus (cervo)
Cervidae (veado)
Myocastor coypus (ratão-do-banhado)
Phalocrocorax brasilianus (biguá)
Phynops sp. (cágado)

Sítio arqueológico (foto: M. Joaquim Felizardo)
Por fim, também foi encontrado um crânio humano com marcas de luta. Tal artefato levantou a hipótese de que a tribo que habitava a Ilha pudesse ter praticado a antropofagia, comum entre o grupo tupi-guarani. A antropofagia ritual ocorria quando a tribo matava o inimigo em guerras. Acreditava-se que ao se alimentar do inimigo adquiriria-se também sua força.
Entrada para o local onde fora escavado


Bom, todas essas informações dos registros arqueólogicos da Ilha Chico Manoel foi a base da nossa experiência e leitura do que encontramos por lá. Ficamos imaginando o que mais poderia ser descoberto, explorado, divulgado e compartilhado por outras pessoas que estivessem interessadas em realizar a mesma experiência com outros pontos de vistas, menos limitados que o nosso olhar...Como seria uma aula de história, geografia ou filosofia com esse belo “pano de fundo’? Como seria proveitoso um passeio de final de semana em família...
Local da Ilha onde fora escavado
O contato com os arqueólogos Fernanda Tocchetto e Marcus Vinicius, e a visualização dos artefatos indígenas de tribos que viveram na Ilha há mais de 600 anos, fez com que a gente passasse a encarar a viagem de uma maneira diferente. E é isso o que a gente acha que o conhecimento científico de modo geral faz com as pessoas, o mundo se torna um objeto de  constante estímulo à curiosidade e ao raciocínio. Não queremos apenas saber que as coisas existem, mas também o como e o porquê elas existem.
Objetos líticos (foto: M. Joaquim Felizardo)
Por exemplo, apesar de nós dois sermos biólogos, quando estávamos na floresta Amazônica e um amigo nosso, o Filipe - que é herpetólogo (dedicado ao estudo dos répteis e anfíbios) – estava presente, a floresta ficava diferente. Estando com ele, a gente passava a procurar os "bichos" dele, a atenção aos barulhos, às poças de água, à busca visual noturna aguçava sentidos que no dia-a-dia ( no caso, noite-a-noite). A descoberta de algo novo, e a possibilidade de ter alguém ali do lado que pudesse tirar nossas dúvidas tornava toda floresta uma fonte inesgotável de estímulos a curiosidade.  
Ninho de Acromyrmex (quenquém)

Acho que no final das contas é essa a vivência que nós queremos que o projeto “Ciência a Bordo” promova e estimule nas pessoas e é essa a vivência também que queremos colocar nas salas de aulas. É muito frustrante pensar que a maioria de nós estamos tão presos ao cotidiano de trabalho e cidade que nem sabemos como buscar aquilo que nos estimula, ou comove. É comum alguém saber exatamente o que irá ver em uma viagem de turismo e voltar insatisfeito por não ter tido grandes surpresas. Geralmente essas viagens começam pelo Google, tendo contato com fotos de viagem e lugares bonitos. Porém, olhar não é conhecer, é só algo para contar para os amigos. Se comover com alguma coisa é algo raro, uma experiência íntima de satisfação inigualável e que estamos cada vez mais deixando sob a responsabilidade de outros. Um carro novo, uma casa nova, uma roupa ou celular da moda pode ser algo legal, mas não agrega valor à nossa vivência e experiência de vida.
Volta na Ilha


Queremos agradecer aos amigos Fernando do Veleiro Planeta Água e ao Paulo do Clube Náutico Veleiros do Sul, que não pouparam esforços em conseguir nossa estadia na Ilha do Chico Manuel. Aos novos amigos do “Ciência a bordo” os arqueólogos do Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo, que além de nos brindar com muitas informações sobre os Guaranis, realizam um belíssimo trabalho por lá, vale a pena fazer uma visita. Ao casal de canoístas Leonardo Esch e Tiane que além de nos dar muitas dicas sobre técnicas de canoísmo, nos emprestaram parte do material de segurança. Ao Filipe, nosso herpetólogo de bolso. E, queremos agradecer também a família Hirata que está sempre nos injetando aquela dose de ânimo, mencionada no começo desta postagem, e que está sempre em nossas lembranças durante as travessias. Deixamos a todos nosso muito obrigado.
Obrigado!

Chegada







O percurso...
O percurso...




Um pouco sobre a Ilha Chico Manoel

A ilha Francisco Manoel, fica no lago Guaíba e apresenta aproximadamente 800m na maior dimensão, a ilha é sub-sede do Veleiros do Sul e está a 12 milhas náuticas do clube, entre Belém Novo e Lami, no município de Porto Alegre. Molhes de pedra, trapiches, algumas casas, mata nativa e praias. A flora e a fauna quase intocadas com rica avifauna, muitas orquídeas, aranhas caranguejeiras e figueiras centenárias. É importante salientar que a Ilha está sob os cuidados do Clube Náutico Veleiros do Sul, e qualquer visitação deve ser solicitada com antecedência no próprio Clube em Porto Alegre.

Pôr-do-Sol na Chico Manoel
Dia!











Lista de equipamentos utilizados nessa expedição

Para travessia
  • Caiaque oceânico Sioux
  • Remo
  • Sacos estanques de diversos tamanhos
Para localização
  • GPS Garmin etrex legend (com pilhas reserva)
  • Spot Satellite GPS Messenger
  • Mapa náutico (impermeável) nem tanto depois de algumas horas na água
  • Carta náutica (de Itapuã a Porto Alegre) n 2111
  • 2 bússolas (p/caiaque + mapas)
Para segurança
  • Rádio VHF
  • Cabo de resgate
  • Fitas de segurança
  • Caixa de primeiros socorros * (veja os itens )
  • Colete flutuador + apito
  • Kit de reparos de caiaque
  • Luz de emergência (navegação)
  • Radio AM/FM/SW (meteorologia)
  • Óculos escuros
  • Luvas para remar
Para iluminação
  • Lanterna de cabeça (mais pilhas reservas)
  • Lampião + camisinha+ adaptador + gás
Para cozinha
  • Fogareiro
  • 1,5mL de benzina
  • Isqueiro
  • Panelas+pegador
  • Prato+caneca+talheres
  • Kit de limpeza de louças
Ferramentas
  • Alicate com diversas chaves etc
  • Cabos solteiros
  • Carregador solar
  • “Canudo purificador” de água
  • Pederneira
* Item da caixa de primeiros socorros
  • Algodão
  • Gaze
  • Band_aid
  • Esparadrapo
  • Antiséptico líquido
  • Álcool 70%
  • Antiséptico pó
  • Permanganato de potássio
  • Gelol
  • Hipogloss
  • Creme minancora
  • Vodol creme
  • Clor-in (pastilhas purificadora de água)
  • Fenergam creme
  • Dorflex
  • Tylenol
  • Termômetro
  • Sal de frutas
  • Epocler
  • Buscopan
  • Creme para queimaduras
Mais...
  • Kit de pesca
  • Cobertor térmico
  • Protetor solar
  • Material de higiene pessoal
  • Caderno de campo
  • Roupas
  • Mantimentos para uma semana

Sim, tudo isso coube no caiaque... E ainda tinha espaço!


Para saber mais sobre as pesquisas arqueológicas realizadas na Chico Manuel:

Leia -
Gaulier, P. L. Ocupação pré-histórica Guarani no município de Porto Alegre RS Considerações preliminares e primeira datação do sitio arqueológico [RS-71-C] da Ilha Chico Manoel
Revista de Arqueologia 14-15:57-73. 2001-2002

Visite - 
Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo
Rua João Alfredo, 582 - Cidade Baixa - CEP 90050-230 

Telefones: 3289.8096 e 3228.2788
E-mail: museu@smc.prefpoa.com.br


Funcionamento

De terças a sextas-feiras: das 9h às 11h30min e das 14h às 17h30min
Quintas-feiras: turno da noite, para instituições de período noturno, mediante agendamento


Para saber mais sobre canoísmo:
http://leonardoesch.blogspot.com.br/
http://grupoosorio.blogspot.com.br/


Um sleestak!

Percurso
Café da manhã!

Chegando

Barraca do caiaque (Ilha Chico Manoel)

Barraca do remador!

Pernoite na Marina do Lessa

Acampamento na Marina do Lessa

Amanhecer no Lessa

Tempestade à vista!

Passaporte para a Ilha Chico Manoel

Material arqueológico da Chico Manoel (foto: M. Joaquim Felizardo)

Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo

Pedaço de Pote de Cerâmica indígena do sítio arqueológico da Chico Manoel

Pedaço de vaso de cerâmica

Borda de pote de cerâmica